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05 maio, 2026

Laços de Humanidade: O Olhar Imprevisível do Cotidiano

A vida é como uma crônica em que o escritor escreve de forma imprevisível; o tempo passa na medida em que se relatam os acontecimentos cotidianos com o olhar que busca captar os mínimos detalhes. Sinto isso ao fazer a leitura do livro "Crônicas para ler em qualquer lugar". Esse livro mostra a essência de cada um dos três escritores: Xico Sá, Maria Ribeiro e Gregório Duvivier. As crônicas, por incrível que pareça, acabam complementando umas às outras.

Anteriormente, senti a necessidade de escrever sobre a borboleta amarela, mas o faço agora graças à leitura da crônica de Xico Sá, "O desafio da borboleta amarela". Nela, ele cita Rubem Braga e Clarice Lispector, apontando Humberto Werneck como o atual vencedor dessa arte de segui-la. É claro que acabei recorrendo também à crônica de Rubem Braga, "A Borboleta Amarela" — Retornando às leituras do livro "Crônicas para ler em qualquer lugar", surpreendo-me com a crônica de Gregório Duvivier sobre os caçadores de likes. Intitulada "A gente não quer só comida, a gente quer postar e quer ganhar like", ela me fez refletir sobre a borboleta amarela diante da tecnologia atual. Notei o falso prêmio das rolagens infinitas e o quanto estamos presos à tela, perdendo a borboleta de vista. Se antes era difícil enxergá-la, hoje tornou-se ainda mais; mesmo assim, continuamos alimentando nossa sede de forma ilusória. Maria Ribeiro, por sua vez, conecta esses pontos ao destacar a política como forma de união — seja em um show de Gilberto Gil e Caetano Veloso, ou na gratidão pela existência de Chico Buarque. Sua crônica "Obrigada, Bolsonaro" é carregada de ironia; talvez esse ser tenha sido um mal necessário para que, diante de momentos sombrios, lembremos que somos humanos necessitados de união para nos mantermos de pé.

É impossível não citar a crônica "A desaletrada da Rocinha", escrita por Xico Sá, que conta a história de uma senhora de idade. A história de Lindacy Menezes e a sua descoberta pelas letras aos seus 64 anos mostra a importância da arte da leitura e da escrita; o pedido de desculpa e se considerar desaletrada, e mesmo assim ter a ciência de que tomou gosto por dizer as coisas e contar a própria história, é de um valor extraordinário. Também é bom pontuar a importância de projetos literários nos bairros periféricos; foi graças à oficina "Festa Literária das Periferias" (FLUP) que foi descoberta a Lindacy e o reconhecimento de que fora revelada uma narradora de primeira, tendo Zuenir Ventura como alguém da plateia a prestigiar e também reconhecer o talento. Mas a crônica não para por aí; também cita questões de violência e a situação da Rocinha, assim como o caso Amarildo. Mas fico com as palavras finais do cronista, de agradecimento pelas lições de existência e o desabafo pessoal que por sua vez ganha o sentido universal, de se todos os ditos letrados fossem iguais à Lindacy. — Impossível não concordar com o cronista e seu lado humano de captar cada detalhe.

São três cronistas que se complementam de forma fantástica com várias outras crônicas incríveis. São crônicas para realmente ler em qualquer lugar e reacender o calor humano; é o despertar das ideias que compõem os laços da humanidade como o alçar do voo da borboleta.


Imagem da capa do livro "Crônicas para ler em qualquer lugar", por Xico Sá, Gregório Duvivier e Maria Ribeiro
Imagem da capa do livro "Crônicas para ler em qualquer lugar", por Xico Sá, Gregório Duvivier e Maria Ribeiro.


20 abril, 2026

O Artifício da Inteligência e o Domínio do Ser

A inteligência artificial não é perfeita, muito menos capaz de substituir a mente humana, e quanto a isso não restam dúvidas. Se o fosse, não seria rotulada como "artificial" — termo que remete ao artifício, aquilo que é produzido pela técnica humana e que pode transitar entre o verdadeiro e o simulado. Compreender essa distinção é vital para que o usuário utilize a tecnologia com propriedade, mantendo sempre o domínio e a condução do processo, deixando claro que a máquina deve servir ao humano, e não o contrário.

A questão é que a pergunta não deve ser se o ser usa a inteligência artificial, mas como ele a está usando. Essa reflexão deve ser direcionada a si mesmo: como estou fazendo um bom uso da tecnologia, se a utilizo como forma de organizar as ideias, como aprendizado e descoberta, ou se estou apenas sendo um produto dela.

É, claro, que a inteligência artificial somente fará sentido se estiver contribuindo para o processo criativo em vez de apenas moldar pensamentos. Uma das questões que muitos vêm discutindo é justamente o impacto da tecnologia na criação, visto que muitos a utilizam para gerar músicas, textos e poesias de forma automática. O risco reside no fato de que, ao automatizar a entrega final, o ser humano acaba por terceirizar a própria essência da arte: o esforço, a dúvida e a descoberta que ocorrem durante o ato de criar. O ser "vende gato por lebre" e, por fim, acaba desconhecendo a sua própria criação, no sentido de que não participou desse processo criativo, mesmo utilizando a inteligência artificial.

Entende-se que o ser deve ter, ao menos, o mínimo de domínio sobre o que aborda; é a necessidade da busca por um repertório próprio para, assim, estruturar as ideias. A inteligência artificial trabalha a partir de fontes externas que se baseiam em outras fontes, que por sua vez se baseiam em diversas outras. Trata-se de um encadeamento de dados vindo de origens que se conectam a outras tantas, onde a capacidade de ocorrerem erros na mistura processada pelos algoritmos torna-se imensa, assim gerando, muitas das vezes, um enfeitamento de ideias convencionais.

O que vem sendo escrito aqui não é que a pessoa tenha que parar de fazer uso da inteligência artificial, mas sim como ela a está usando. Convenhamos: se todos passarem a criar apenas através da inteligência artificial, entendendo que ela trabalha através de conectivos externos que também se baseiam em outras fontes, chegará um tempo em que todos estarão transmitindo apenas cópias através de cópias? Nesse cenário, surge o esvaziamento do pensamento original, o que vai acarretar na insatisfação de quem vai consumir, e esse choque se dá justamente ao fato de que há um público que não virou produto da inteligência artificial.

Enfim, é graças a esse público que a inteligência artificial não consegue moldar por inteiro o pensamento humano. Esse grupo assume o papel vital de compreender a necessidade do processo de criação, tratando a tecnologia como um instrumento e não sendo um instrumento dela — o que abriria espaço para o domínio das gigantes da tecnologia e sua capacidade de controlar impulsos através do algoritmo.

Imagem da internet.


15 abril, 2026

Um pouco de mim

Escrevo para sobreviver o tempo,
Respiro cada escrita
E vivo para reviver cada momento.
Não tenho mais a pressa,
Muito menos correrei.
Seguirei, e assim
Vou aprendendo
Com os passos da vida.
Escrevo para ser lembrado,
E não ser esquecido,
Penetro no coração
Daqueles que me leem,
E deixo um pouco de mim,
Ou do meu eu-lírico.

Imagem da internet.


19 setembro, 2025

7 Anos: "Carta Ao Presidente: Dias Sombrios"

Faz 7 anos que o livro "Carta ao Presidente: Dias Sombrios", foi publicado pelo jornalista Carlos Souza Yeshua. Há dois textos de minha autoria nesse livro, que reúne a escritas de vários outros escritores, que por sua vez se dedicou a escrever algo, quem sabe como uma forma de protestar, manifestar ou até mesmo reivindicar algo.

Talvez, hoje em dia a minha visão não seja a mesma, do que tenho escrito, até porque ao longo do tempo surge novas ideias, novos pensamentos, novas crenças, novos sonhos... É um excelente projeto (e realizado), organizado pelo Carlos Souza Yeshua, que também organizou o Dicionário de Escritores Contemporâneos da Bahia.

Quem não gostaria de escrever uma carta ao presidente? Quem não gostaria de levar suas ideias? Quem sabe milhares e milhares de pessoas tenham essa sede, essa sede de escrever algo para o presidente, a sede de contribuir de alguma forma com as devidas transformações e melhorias para todos(as).





08 setembro, 2022

Bom dia

O dia nasceu,
O galo cantou
Dia antes,
Os pássaros
Cantam em seu lugar.
O café
A ferver
Preste a transbordar,
Aroma de vida.
O dia e sua melodia
Pura poesia.
Folhas caídas
No chão,
A ser levado
Pelo vento,
Palavras comuns,
Sendo falada
No passeio:
– Virou raridade!
Pessoas nas redes sociais,
O celular a substituir
O contato pessoal.
Dia de saudade,
Muitas nostalgias.
O sino da igreja
Toca,
Pessoas se benzendo
Às 6h.
O dia raiou,
E o ontem não
É mais hoje,
O hoje amanhã
Será ontem,
E o dia
Não é mais o mesmo.
O fim do mundo,
São todos os dias,
Contado pelos cientistas
Dos EUA,
E ninguém.
Bom dia,
Para todos,
O dia começa
Neste mundo imenso,
Que na verdade,
Nunca acaba!

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


04 novembro, 2019

Livro / cérebro

Vou conectar o meu cérebro ao livro,
E fazer de cada livro uma leitura,
Um interpretar um convívio,
Quero penetrar no livro, andar com
As palavras, e aprender cada…
Seu significado, seu sentido
Real e abstrato.
Quero que o livro faça parte da minha vida,
E a minha vida quem sabe venha
A fazer parte do livro.
Quero ser mais que cabeça,
Quero saber a hora de me colocar
Em todas as situações
E a hora de sair de fininho
Ou de não me colocar
Em situação alguma.
Quero conhecer um pouco de tudo,
E fazer o máximo para conhecer
Mais ainda, o mundo, a vida, os seres, as coisas…
Quero ter ideias, quero praticar
As ideias,quero vivenciar cada
Situação num livro e fora do livro.
Quero conectar o meu cérebro no livro, fora do livro, dentro do livro, na capa
Do livro, nas folha do livro,
No mundo do livro…

05 outubro, 2019

Pegada

Meu peito é nada mais nada menos
Que um mar de ondas.
- Vai e vem pelas areias
Sem fim. Meninos pequenos

A construir castelos, e a criar
Em suas imaginações, dragões
E eu com a minha amada, a beijar
O tempo... E peixes por entre rufões

Águas marinhas a fazer o encanto,
Conchas a espalhar-se pelo chão,
E o vento a fazer do meu peito lamento

Minha amada partindo, vai paixão,
Nada posso dizer vai, deixando pranto
E assim acordei do sonho, presas no coração.

Na imagem o poeta e escritor Valter Bitencourt Júnior fazendo uso de óculos e camisa bege.
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


03 outubro, 2019

Tempestade

E corrupia o seu ser
Por entre a brisa,
E feito as flores
Cristalinas, o sol
A brilhar, em sua face.
Diamantes a serem lapidados,
Palavras de poeta
A serem cortadas,
Até chegar a sua
Perfeição. O tempo
No olho dos filósofos,
E uma maré de
Solidão no espaço.

Na imagem Valter Bitencourt Júnior usando óculos e camisa bege.
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


02 outubro, 2019

A esperança perdida

Quem sou?
Não sei.
Talvez o vento
Levou o meu nome.
Só não sei pra onde.

Beleza

Mulheres que se apaixonam
Por flores,
É mulher
Que se semeia,
E nasce a cantar!
Mulheres de vários amores,
Mulheres sem se apaixonar!

Na imagem Valter Bitencourt Júnior fazendo uso de óculos e camisa branca.
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Perfume

O vento corrupia
Sobre as rosas
Trazendo o cheiro da aurora.

A imagem marca o fim da tarde em Maracujá Bahia.
Final de tarde em Maracujá/BA.


Bola

Sou uma bola entre espinhos
Sem peito, sem ar,
Humilhado e chutado
Por um ser inadmissível!

Na imagem Valter Bitencourt Júnior usando óculos e camisa branca.
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


12 abril, 2019

Onde está o teu corpo

Ao sentir o teu corpo perto do meu
Senti calor.
Olhei nos teus olhos,
Ganhei confiança
Nessa noite serena me apaixonei…
Ao sentir teu corpo perto do meu
Comecei a te admirar
Observei tua boca,
olhos,
orelhas,
nariz…

De cima a baixo
Começo quase sem fim…
Porque em um certo dia,
Não cheguei a ver nem os teus pés.

Mas onde esta o teu corpo
Que estava perto de mim?

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


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