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29 abril, 2026

Torto Arado: A luta da ancestralidade e a formação da identidade de um povo

O livro "Torto Arado", de Itamar Vieira Junior, não resgata a fala do povo em que a história é narrada. Mesmo não fazendo esse resgate da fala, ele conseguiu levar elementos e costumes antigos que ainda se encontram presentes em nossa atualidade; faz com que o leitor sinta-se, muitas das vezes, dentro do livro. O traço se torna contemporâneo e quebra a visão de regionalismo; ganha um sentido universal na medida em que a história é narrada, não como forma de resgatar as tradições apenas, mas de fazer com que o leitor seja levado ao contexto do que foi narrado por Bibiana e, mais à frente, Belonísia. No desenrolar da história, também dá para sentir a mudança de estilo de escrita, como se apontasse Belonísia com uma idade avançada. O autor soube diferenciar a forma que cada uma narra a história, o traço da escrita e o aspecto de cada uma: de alguém que foi ganhando uma visão politizada para alguém que se tornou da terra e que ganhou essa visão com o tempo, assim não unificando a narração e dando sentido ao contexto. A terceira personagem narrando a terceira parte do livro é Santa Rita Pescadeira, o que se faz necessário para amarrar a história que foi traçada da primeira parte até a última, lembrando que a história é dividida em 3 partes: Fio de Ferro, Faca de Ponta e Rio de Sangue.


A obra, se comparada com o regionalismo, em que muitas das obras descreviam a transição da região para a urbanização, a civilização de seu povo, o surgimento do comércio e da industrialização, ganha importância no fato de que houve a ocupação do espaço e de que havia sempre pessoas que ali chegavam na busca de moradia e trabalho; o desenvolvimento se torna a questão de visão política, do contexto social e da crença. De forma fluida e contemporânea, a obra ganhou um aspecto que tem chamado a atenção de diversos críticos literários: a renovação e a fluidez das ideias. O autor universalizou a obra de acordo com a visão de um autor de nossa atualidade, sem abrir brechas para que a leitura se torne cansativa. Essa visão não é uma forma de descartar as obras regionalistas escritas por pessoas daquela época; deve ser entendida como uma obra feita por alguém que já se encontra na contemporaneidade e sujeito a mudanças provocadas pelo tempo, visão também que vem a partir de anos e anos de estudos. Alguns comparam à Literatura Periférica; pelo contexto histórico é a partir da abolição que surgem as periferias; essa visão é importante na medida em que o ser passa a conhecer o contexto histórico presente no livro e a formação do povo, que por sua vez lutava por moradia e trabalho.


Nem toda obra tem que ser lida como regionalista somente pelo fato de ter sido escrita no Nordeste e conter os traços ou falas nordestinas. Desde que se sabe que há outros elementos presentes que podem oferecer outras classificações, a obra também é afrodescendente, no resgate de elementos tradicionais inseridos no contexto da história e seus elos políticos, sociais e humanos.


A terra Água Negra é um reflexo de um passado em que os que foram libertos na escravidão passaram a ganhar um pedaço de terra para morar e, em troca, pagar através do que produziam nessas terras. Bibiana descreve com precisão o quanto aquilo era um meio de exploração dos que ali habitavam diante do proprietário, que não somente cobrava o trabalho braçal, como também parte do que era ganho através das vendas externas. A necessidade da existência de escolas para que os filhos dos trabalhadores tivessem o direito de aprender a ler e a escrever despertou a sede de Bibiana de explorar outros lugares; logo surgiu o primo Severo, que queria sair de Água Negra para explorar outros ambientes; surgiu uma visão política.


A curiosidade de Bibiana e Belonísia de saber o que Donana guardava na mala é o aspecto de qualquer criança que quer descobrir os mistérios que lhe são reservados em segredo, porém havia a consciência de que, ao abrir aquela mala, iriam desapontar Donana, que muito nelas confiava. O acidente que ambas sofreram e a língua de Belonísia, que foi atingida, apontaram que não havia hospital em Água Negra e que tinham de ir para a cidade, o que matou a curiosidade de ambas em saber como era o caminho, diante da situação pela qual passavam. As mãos de Donana pesando em suas cabeças são, ao mesmo tempo, o sentimento de culpa e preocupação e a ligação de acontecimentos passados que voltava a preocupar. O pai seguia a tradição preparando ervas para curar a filha, mas a chegada ao hospital fez com que ele mudasse de postura como forma de não receber retaliação por seus feitos tradicionais. Como se entrasse na história de "Mil e uma Noites", onde se estabeleceu a justiça e a razão, houve o reconhecimento de Zeca Chapéu Grande de que a sua prática não era aceita e a ocultação de sua identidade. Voltando-se a Belonísia e a Bibiana, esse ciclo se fecha como dois elos de forma contrária: enquanto na história árabe Sherazade usa a palavra para adiar a morte, em "Torto Arado" o silêncio de Belonísia e a voz de Bibiana se tornam ferramentas de sobrevivência. Enquanto o pai oculta a voz para sobreviver ao sistema, como razão de sobrevivência, Bibiana expõe a voz para mudar o sistema, como razão de luta, e Belonísia usa o silêncio para não ser destruída por ele, como razão de existência. Quanto à mãe? Salustiana assume o papel da busca de compreensão dos elos.


Donana, por sua vez, busca dar fim à faca que carregava o peso de tragédias passadas e, em um gesto de tentativa de apagamento do trauma, enterra o objeto em uma área próxima ao rio, esperando que a terra e a umidade consumissem aquele segredo. No entanto, anos depois, após a fuga de Bibiana com Severo, Belonísia, já em sua fase de amadurecimento e solidão na fazenda, a encontra novamente ao cavar o solo. Esse ciclo se torna essencial na narrativa porque marca a transformação da dor em resistência e diferencia o papel das irmãs: enquanto Bibiana parte para lutar através da política e das palavras, Belonísia permanece como a força guardiã que preserva a ancestralidade no território. O que antes era um símbolo de mutilação e silêncio forçado, ao ser desenterrado, transmuta-se em um instrumento de justiça; a faca deixa de ser uma ferida na linhagem das mulheres da família para se tornar a ferramenta que, nas mãos de Belonísia, finalmente corta o ciclo de opressão imposto pelos senhores da fazenda.


A compreensão plena desse ciclo só se completa próximo ao final do livro, quando as camadas do passado de Donana são reveladas: a morte de seu primeiro marido e a violência de seu segundo companheiro, que culminou no abuso sofrido por sua filha, Carmelita. Revelam-se trauma ancestral, o assassinato do agressor cometido por Donana com aquela mesma faca e a subsequente expulsão de Carmelita. Ao desenterrar a faca, Belonísia não resgata apenas um metal, mas reconecta-se com toda a história de sobrevivência, substituição e silenciamento da linhagem de sua avó Donana.


E, é claro, diante desse contexto, há a necessidade de alguém que seja visto como uma 'cura dos problemas'. O autor soube colocar essa questão em que Zeca Chapéu Grande era, além de um líder de família, um curador da região através do conhecimento das ervas e das tradições que mantêm e sustentam os elos de todo um povo que se reencontra e se identifica; destaca-se a importância do terreiro em um ambiente em que muitos estavam ali ocupando espaço como meio de garantir a moradia e o alimento. O jarê tornou-se um espaço de resistência.


Surge a importância das parteiras e o seu papel fundamental: de Donana ao filho Zeca Chapéu Grande, que fazia esse trabalho e ao passar para a esposa Salu a responsabilidade de ser parteira. É mostrado também o fato de ele ser homem e o quanto isso o deixava constrangido, bem como a questão de receber entidades femininas e a caracterização de acordo com elas; Zeca Chapéu Grande tinha que fazer uso de saias. Isso não tirava dele a visão de importância que tinha para todo o povo que ali vivia e se instalava ao longo do tempo.


A descoberta da traição entre as irmãs Crispina e Crispiana foi mais um dos pontos alarmantes. A gravidez de ambas, causada pela mesma pessoa, é um dos pontos críticos que faz com que se reflita sobre uma questão delicada, não somente de traição, mas também de desolação, sofrimento e o enlouquecimento diante da descoberta e a busca de cura através da ajuda de Zeca Chapéu Grande. Ele teve que hospedar a paciente até a cura, apontando se a situação era curável. Uma delas perdeu o filho, e a que perdeu o filho virou mãe de leite; o que aproximou as irmãs novamente, isso foi o que ficou refletido na mente de Bibiana, pois ela viu todo o contexto e escutou de que o pai das moças queria matar quem as engravidou.


Apesar de muitos verem o relacionamento entre primos como pecado, não era estranho para aquela época e região pequena, em que muitos acabavam se atraindo e gerando família. Bibiana, ao entregar Belonísia para a mãe dizendo que ela estava com Severo, fez com que ela levasse uma surra; essa passagem mostra a inocência de duas crianças que ainda não tinham maldade e a forma com que os adultos as puniam. Aponta também o ciúme de Bibiana por ser a mais velha e mostra a visão avançada da irmã. O caso de Severo com Bibiana e a gravidez dela fizeram com que ela refletisse sobre o que escutou, despertando o medo da reação dos pais e de como as demais pessoas veriam isso. A necessidade de fugir tornou-se presente, não somente para lutar por uma vida melhor, mas pelo que poderia acontecer caso permanecessem em Água Negra.


Donana é o ser que ganha importância pela sua idade e vivência. Ela leva os leitores a momentos em que vemos senhores de idade falando sozinhos; cochichando palavras que, muitas vezes, tornam-se incompreensíveis, remetendo a lembranças de avós que falavam sós enquanto costuravam. Donana fala sozinha como forma de manter vivos os antepassados e seus acontecimentos, em um diálogo de conciliação, enxerga a neta como se fosse a filha Carmelita. O respeito aos mais velhos é o que a tradição preza; saber que ela já estava em idade avançada e trocando os nomes das netas, ou vendo o cachorro Fusco como uma onça. Ao longo da leitura, entendemos os motivos: a quebra de obrigação de assumir o jarê, o filho castigado ficando louco, a fuga e o que tornou Zeca Chapéu Grande uma peça importante para Água Negra.


Com a partida de Bibiana, Belonísia assume a narração, apontando a injustiça de terem que dar parte do que produziam para a família Peixoto através do gerente Sutério e o abuso de ele apropriar-se do que era plantado e vendido; isso mostra Belonísia deixando de ser criança. O surgimento de Tobias, escolhido pelo pai para morar com ela, reflete a época em que muitas não escolhiam com quem se relacionar. Bibiana foi diferente, e talvez por isso Belonísia tenha sentido como se tivesse traído a irmã com a denúncia do passado. Diante do mistério do chapéu grande, Donana passou a ser chamada apenas de Donana, e Zeca levou o restante do apelido.


Ao morar com Tobias, Belonísia deparou-se com a casa suja e sentiu vontade de voltar para os pais. O autor mostra que ela foi entregue ao papel de dona do lar; ela assumiu a tarefa como se fosse o normal da vida de um casal. Tobias vai trabalhar, comunica a Belonísia de que ela pode preparar o almoço. No retorno de Tobias, ele bebe, ela serve o almoço e fica ao seu lado, criando a ideia de fidelidade e submissão. O contato sexual era algo esperado, mas ela não sabia como começar; sentiu alívio quando não aconteceu logo na chegada, o que aconteceu pela noite, o silêncio de Belonísia representa também a sua violação; a leitura não tem que ser feita somente como se fosse um acidente anterior. A questão da agressão da mulher o que muito acontecia em Água Negra. A Maria Cabocla correu até a casa de Tobias e encontrou Belonísia, Maria Cabocla ficou com medo de apanhar do marido Aparecido. Isso fez com que Belonísia refletisse que Tobias também poderia se tornar um agressor físico, o que quase ocorreu mais adiante. Com o tempo, Tobias passou a chegar embriagado e a questionar Belonísia, até derrubar o prato de comida e gritar sobre o fato de ela ser muda. Ali nasceu o que se esperava: o homem assumindo o papel de quem dita as regras, vindo da criação, da religião e do que o Estado impõe.


A descoberta do falecimento de Tobias ocorre em uma trama de mistério. Belonísia torna-se viúva, carregando um fardo como o de Donana. No velório, a família esperava que ela demonstrasse sentimento, mas ela sentiu vontade de rir, embora soubesse que não soaria bem. Ela decide morar sozinha na mesma casa, uma decisão firme de autonomia, reconhecendo que o espaço lhe pertence pelo que cultivou. Maria Cabocla aparece novamente com medo do marido, e Belonísia vai ajudá-la, sentindo o instinto de arrumar o desarrumado. Maria Cabocla expulsa Aparecido, que questiona ser o dono da casa, enquanto os filhos clamam para que ele fique, habituados à violência. Belonísia preocupou-se com o sustento da amiga sem um homem, visão herdada dos antepassados, mas compreendeu a necessidade daquela nova vida.


O retorno de Bibiana e Severo trouxe a construção de uma casa próxima aos pais, mantendo os costumes. Bibiana torna-se professora, e Severo leva adiante ideias sindicalistas, respeitando Zeca Chapéu Grande. Zeca foi aposentado pelo Estado, o que via como indenização pelo suor derramado, após dificuldades com documentações junto aos proprietários. Com a morte de Zeca, o livro resgata sua história como José Alcino da Silva, algo necessário para dar sentido às partes anteriores. Também discorre sobre o contexto geográfico dos diamantes e a busca da riqueza.


Rita Pescadeira narra a morte de Severo, provocada pelos donos da terra, como o Coronel Salomão, como forma de silenciamento. Apesar de serem vistos como moradores, a exploração continuava sob uma falsa justiça de posse. Severo foi fundamental na garantia de direitos, e isso custou sua vida. Bibiana assume seu papel através da visão social e justiça. Na narrativa, percebe-se a terceira voz, de Santa Rita Pescadeira, que se mistura às vozes das irmãs. Após a morte de Severo, uma falsa investigação policial acusou-o descabidamente de tráfico de drogas, causando indignação. É a luta continuada pelo direito à terra e por casas que não sejam de barro, mas de materiais resistentes como as dos proprietários, casa essa que muitos nutriram a vontade de incendiar como forma de justiça pelo assassinato de Severo.


A personagem Estela entra em cena como forma de apontar que também havia o conflito religioso, já que ela era evangélica e tinha o papel de evangelizar e ir contra a tradição que ali foi cultuada. A esposa do novo proprietário, Salomão, mostrou que não houve apenas mudanças que geraram conflito entre as partes. A polícia se tornando presente e os crimes que passaram a surgir como forma de silenciar os demais fortaleceram a sede por justiça entre os que ali habitavam, mas houve também um choque político, cultural, social e religioso: o entendimento de que aquele povo é quilombola e a tentativa de negação de suas raízes.


A obra revela que, diante do apaziguamento que Zeca Chapéu Grande estabeleceu com os proprietários da terra como forma de demonstrar gratidão pela moradia e trabalho, Severo teve uma grande importância na conscientização da população que ali habitava. A morte de Zeca trouxe um novo roteiro, assim como a venda das terras para um novo proprietário, o Coronel Salomão. Mais adiante, a morte de Severo foi o estopim para que a luta por justiça ganhasse força real. O assassinato injusto e o descaso das autoridades romperam o antigo vínculo de gratidão e silêncio que antes impedia o confronto. A partir desse evento, a indignação de Bibiana e de todo o povo transformou-se em uma consciência política ativa, provando que a justiça não seria concedida de forma pacífica, mas sim conquistada através do reconhecimento do próprio histórico de exploração e do direito legítimo à posse da terra e indenização.


Portanto, Itamar Vieira Junior conseguiu, através da sua obra "Torto Arado", apontar o lado social e humano de todo um povo que conseguiu sobreviver aos impactos da abolição e suas consequências. Estas levaram os demais a lutar pelos seus direitos de moradia e pelo não apagamento de suas raízes, firmando-se no que já lhes pertence por direito e no seguimento da luta por justiça, não somente contra o que o reflexo do antepassado tentou vetar, mas também contra o que, na atualidade, ainda tentam negar de forma disfarçada.

Referência de leitura: VIEIRA JUNIOR, Itamar. Torto Arado. 1. ed. Rio de Janeiro: Todavia, 2019.


Foto: Giovanni Marrozzini/Intercept Brasil.



20 abril, 2026

Amanhã, 21 de abril: Audelina Macieira lança o livro "Amanhecer Chorando" na Bienal do Livro Bahia

Amanhã, 21 de abril, a poetisa Audelina Macieira lançará o livro "Amanhecer Chorando" na Bienal do Livro Bahia. O evento acontece a partir das 11h30, no Centro de Convenções de Salvador.

Audelina Macieira de Jesus é conhecida como Audelina Macieira, nasceu em Cachoeira (BA). É poeta, escritora e ativista cultural, participante de movimentos de literatura na Bahia. Licenciada em Pedagogia e especialista em Neuropedagogia com Psicanálise. É membro da União Baiana de Escritores (UBESC), da Confraria Artistas e Poetas Pela Paz (CAPPAZ) e vice-presidente da Academia de Letras, Músicas e Artes de Salvador (ALMAS). Audelina recebeu menção honrosa do Projeto Cultural Almas Brasileiras com o conto juvenil ‘A Velha Dona Florzinha?’ e é ganhadora do Prêmio Frederico Garcia Lorca, no gênero poesia, pela Edicom (Casa de Espanha, Rio de Janeiro, 2015). Em 2015, foi poeta destaque de Salvador, pela Associação Internacional de Escritores (Literart). Tem diversos versos traduzidos para o inglês e espanhol, participou de inúmeras antologias e coletâneas. Também é autora das obras:


  • Coração Amargo em Flor, publicada pela Editora Òmnira, 2013, com a segunda edição publicada pela Editora Novo Romance;
  • O Abraço da Esperança, pela Editora Scorteci, 2017;
  • Pobre Mulher Feminina Nordestina, pela Editora Penalux 2019

Imagem divulgação.

06 abril, 2026

Bienal do Livro da Bahia 2026: Lançamento do Livro “Amanhecer Chorando” de Audelina Macieira

A poetisa Audelina Macieira tem presença confirmada na Bienal do Livro da Bahia 2026, vai realizar o lançamento do livro “Amanhecer Chorando”, no stand da Cogito Editora, o evento vai acontecer do dia 15 a 21 de abril, no Centro de Convenções de Salvador.

Acessem ao perfil da Cogito Editora para mais informações: https://www.instagram.com/p/DWkQg8ODRfS/?igsh=MWJwOXhvZGVwc25peQ==

Incluam na agenda de vocês!

Capa do livro "Amanhecer Chorando", de Audelina Macieira.


Imagem divulgação.


26 março, 2026

Fala Escritor: Lançamentos do Livro "O Enterro" e Conversa Com o Autor

    Conversa com o poeta, escritor, professor, cineasta e agitador cultural, Pablo Rios e lançamento do livro de sua autoria "O enterro", realização do projeto "Fala Escritor", vai acontecer hoje na Biblioteca Central do Estado da Bahia, às 17h. O Fala Escritor já está em sua 13ª edição, parabéns aos organizadores desse belíssimo trabalho!



Imagem divulgação.

21 fevereiro, 2026

21 Fevereiro - Dia do Imigrante Italiano

Hoje, 21 de fevereiro, é o Dia do Imigrante Italiano, por minha vez eu indico o livro "Prólogo,ato, epílogo - Memórias", de Fernanda Montenegro, com colaboração de Marta Góes.

Arlette Pinheiro Medeiros Torres, conhecida como Fernanda Montenegro, nasceu no Rio de Janeiro, no ano de 1929, no livro citado acima, Fernando descreve sobre sua origem genealógica, a família do pai era de lavradores portugueses e a da mãe era de lavradores sardos, ela também descreve que apenas uma geração separa ela deles. No livro ela cita "Os Pinna e Piras, a família de minha avó materna, vieram da Itália, de uma aldeia do centro da Sardenha: Bonarcado; os Nieddu, de meu avô, eram de Teulada, uma ponta de terra da ilha que avança pelo Mediterrâneo. Chegando todos ao Brasil no mesmo navio, em 1897. Fazia parte de um grupo de oitocentos imigrantes italianos, a maioria de origem sarda, contratados para trabalhar nas fazendas de café em Minas Gerais em substituição à mão escrava. Por um documento assinado pelo presidente do Brasil, Prudente de Morais, e pelo rei da Itália, Umberto I, filho de Vítor Emanuel - o primeiro monarca da Itália unida -, comprometiam-se a permanecer aqui pelo tempo mínimo de dois anos. A partir daí recebiam uma licença para retornar caso quisessem."

Ela também cita no livro a necessidade do Brasil necessitar de lavradores, e não fazia 10 anos que a escravidão foi abolida, fala também sobre a pobreza que havia em Sardenha no final do século XIX e a espectativa de que a unificação do país resolvesse a situação de pobreza, o que não se cumpriu (segundo a autora).

Também é descrito sobre a desesperança dos italianos, o que provocou da necessidade de migrarem para outros países, muito foram para a America do Sul, para Austrália e Estados Unidos. E ela também cita "Se o país no continente não ia bem, que dirá a Sardenha, a Sicília, as ilhas... Então correu por lá a notícia de que no Brasil chovia ouro. Era só cavoucar a terra para encontrar esmeraldas, diamantes. Bastariam dois anos para enriquecer - era essa a propaganda. Diante de tamanho apelo, meus bisavôs, Francisco e Antíoco, chegaram à conclusão de que deveriam vir para cá, com as respectivas famílias. Hipotecaram aos parentes, a casa, os animais, o pouco que possuíam. Afinal, logo estaríamos de volta ricos."

O livro é espetacular, a Fernanda Montenegro, não aborda apenas sobre a sua carreira artística, ela aborda também sobre os acontecimentos sociais, políticos, culturais e artístico, o que torna o livro biográfico riquíssimo. Filha de imigrantes com uma história de vida muito bela, hoje em dia imortal pela Academia Brasileira de Letras, é considerada uma das maiores atrizes brasileira.

Cabe deixar aqui também que, migrar é um direito humano, é necessário compreender a necessidade de uma pessoa ter de migrar de um país para outro, muitas das vezes devido a fome, a calamidade pública, o medo da morte, a guerra. Muitas dessas pessoas já saem dos seus países com medo, na busca de refúgio, sem sequer saber se será bem recebida ou não.

Capa do livro "Prólogo, ato, epílogo - Memórias", de Fernanda Montenegro.
"Prólogo, ato, epílogo - Memórias", de Fernanda Montenegro.


19 setembro, 2025

7 Anos: "Carta Ao Presidente: Dias Sombrios"

Faz 7 anos que o livro "Carta ao Presidente: Dias Sombrios", foi publicado pelo jornalista Carlos Souza Yeshua. Há dois textos de minha autoria nesse livro, que reúne a escritas de vários outros escritores, que por sua vez se dedicou a escrever algo, quem sabe como uma forma de protestar, manifestar ou até mesmo reivindicar algo.

Talvez, hoje em dia a minha visão não seja a mesma, do que tenho escrito, até porque ao longo do tempo surge novas ideias, novos pensamentos, novas crenças, novos sonhos... É um excelente projeto (e realizado), organizado pelo Carlos Souza Yeshua, que também organizou o Dicionário de Escritores Contemporâneos da Bahia.

Quem não gostaria de escrever uma carta ao presidente? Quem não gostaria de levar suas ideias? Quem sabe milhares e milhares de pessoas tenham essa sede, essa sede de escrever algo para o presidente, a sede de contribuir de alguma forma com as devidas transformações e melhorias para todos(as).





25 novembro, 2021

Lançamento: "Ninguém em Casa" - Luiz Ruffato

Foto divulgação.

02/12: lançamento do livro "Ninguém em casa", autoria de Luiz Ruffato, em Pinheiros/SP, Livraria Mandarina, das 17h às 20h.

26 fevereiro, 2021

Mais um amigo leitor do livro "Toque de Acalanto: Poesias"

 O amigo Daniel Brandão com o livro de minha autoria "Toque de Acalanto: Poesias", agradeço muito a Daniel por ter comprado o livro, gostei bastante da publicação no Instagram lembrando os momentos de infância no Projeto Patrulhando a Cidadania, é muito bom uma amizade como essa integro e respeitável.

Desejo uma boa leitura do livro, abraço! Valter Bitencourt Júnior, 26 de fevereiro de 2021.

Daniel Brandão com o livro "Toque de Acalanto: Poesias", autoria de Valter Bitencourt Júnior.
Daniel Brandão com o livro "Toque de Acalanto: Poesias", autoria de Valter Bitencourt Júnior.



02 maio, 2020

Toque de Acalanto: Poesias


Livro "Toque de Acalanto: Poesias", são mais de 140 páginas para os leitores lerem. Comprem através das plataformas de venda Mercado Livre, Magazine Luiza, Amazon, dentre outros.

23 abril, 2020

Baita de Uma Lembrança do Facebook à Antonio Carlos Secchin

O Facebook lembrou ao poeta e acadêmico da Academia Brasileira de Letras, Antonio Carlos Secchin (Rio de Janeiro, 10 de junho de 1952), uma publicação feita em 23 de abril de 2015, às 13:45. Nessa publicação se encontra a foto que registra o mestre Antonio Carlos Secchin, autografando o livro de autoria dele para o Luiz Alfredo Garcia-Rosa (Rio de Janeiro, 16 de setembro de 1936 - Rio de Janeiro, 16 de abril de 2020).

Antonio Carlos Secchin autografando livro à Luiz Alfredo Garcia-Rosa, em 2015.

13 novembro, 2019

Caso Raro: A Felicidade Batendo na Porta 3 Vezes

  Sim, a felicidade bateu na minha porta três vezes, eu não esperava, minha irmã (Lucielle) veio com uma encomenda entregue pelo Correio. Nessa encomenda eu li o nome do mestre da Academia Brasileira de Letras, Antonio Carlos Secchin, logo veio a felicidade, porque eu sabia que ganhei mais um livro, a curiosidade foi imensa em abrir a encomenda e saber qual livro se encontrava por dentro.

   Respirei fundo, e feito uma criança fui abrindo e pensou que não mais uma felicidade, ganhei um grande presente, quase caí no chão, só faltou as lágrimas caírem da minha face de felicidade, eu vi primeiro uma imagem, de uma das maiores atrizes brasileira, a Fernanda Montenegro. Gritei, de felicidade duas vezes, ao receber a encomenda e ao abrir a encomenda, ganhei o livro "Prólogo, ato, epílogo" (memorias), autografado pela Fernanda Montenegro (eita, a felicidade não bateu na minha porta três vezes, bateu 4 vezes, mas foi o que veio em minha mente, agora pela noite, nesse dia 13 de novembro de 2019).

  A felicidade bateu na minha porta outra vez, porque também contagiou a minha mãe (Lúcia) e ela falou, que gosta de me vê assim, feliz feito uma criança, falando coisas boas, falando em gratidão.

  A felicidade bateu na minha porta 3 vezes e um pouco mais.








04 novembro, 2019

Livro / cérebro

Vou conectar o meu cérebro ao livro,
E fazer de cada livro uma leitura,
Um interpretar um convívio,
Quero penetrar no livro, andar com
As palavras, e aprender cada…
Seu significado, seu sentido
Real e abstrato.
Quero que o livro faça parte da minha vida,
E a minha vida quem sabe venha
A fazer parte do livro.
Quero ser mais que cabeça,
Quero saber a hora de me colocar
Em todas as situações
E a hora de sair de fininho
Ou de não me colocar
Em situação alguma.
Quero conhecer um pouco de tudo,
E fazer o máximo para conhecer
Mais ainda, o mundo, a vida, os seres, as coisas…
Quero ter ideias, quero praticar
As ideias,quero vivenciar cada
Situação num livro e fora do livro.
Quero conectar o meu cérebro no livro, fora do livro, dentro do livro, na capa
Do livro, nas folha do livro,
No mundo do livro…

12 abril, 2019

Sobre o livro: Meu Amigo Antônio Por Entre a Ditadura Militar e Civil

O livro "Meu Amigo Antônio Por Entre a Ditadura Militar e Civil", foi publicado como uma forma de levar aos leitores sobre Antônio Fernandes Mendes, uma das vítimas da ditadura militar e civil, no Ceará. Antônio Fernandes Mendes, nasceu em Quixeramobim, em 1936, foi anarquista, fitoterapeuta, conhecedor das ervas medicinais, cordelista e autodidata, é o clã de Antônio Vicente Mendes Maciel (Antônio Conselheiro).

No livro "Meu Amigo Antônio Por Entre a Ditadura Militar e Civil" pode ser encontrado a biografia dele e algumas perguntas que o tenho feito, perguntas essas que ele tem respondido, sem quaisquer tipo de restrição. Antônio Fernandes Mendes falou sobre a sêca no Ceará, e sobre a instalação de duas bases aéreas, que convocava os jovens para o auge da guerra, livros que foram queimados e livros que foram enterrados e perdidos pela água da churra e sobre a importância de uma biblioteca e da leitura.

Antônio Fernandes Mendes viveu numa forma clandestina, ajudou diversos senhores de idade a aprender ler, fazendo uso do método Paulo Freire, método este que era proibido naquela época. Criou e fundou diversos sindicatos, de forma clandestina, visando ajudar os trabalhadores, que trabalhavam no campo. Recebeu a notícia de que a polícia estava atrás dele, fugiu para a casa de um dos irmãos, onde passou alguns dias.

Na Bahia, criou junto com a comunidade o projeto "Horta Natureza", este projeto ficou conhecido depois como ISVA (Instituto Socioambiental do Bairro de Valéria), onde também se encontrava a biblioteca do bairro (Biblioteca Comunitária do Bairro de Valéria Prof José Oiticica) e o cineclube do bairro, onde passava diversos filmes educativos, deu palestras em lugares públicos e privados.

Tenho o costume de dizer que o livro "Meu Amigo Antônio Por Entre a Ditadura Militar e Civil", também foi publicado de uma forma clandestina, porque, não tive a ajuda de editores e revisores para publicá-lo, editei, criei a capa, e publiquei de forma independente, e quem sabe assim possa aparecer oportunidades de publicar novas edições, levando a diante a história de um grande mestre, que foi o Antônio Fernandes Mendes.

Na imagem Antônio Fernandes Mendes segurando o livro Hinos do Equador, de Castro Alves.
Antônio Fernandes Mendes 


21 outubro, 2017

Livro: Toque de Acalanto

Livro: Toque de Acalanto, autoria de Valter Bitencourt Júnior, Clube de Autores, 2017, este livro vai para a poetisa Conceição Ferreira.

Adquira o seu através do site do Clube de autores:

https://www.clubedeautores.com.br/book/227762--Toque_de_Acalanto#.WeuDyr1v_qB

Também pode ser comprado através do site da Amazon:

20 outubro, 2017

Sobre o Livro Toque de Acalanto

Hoje tenho recebido pelos Correios, o livro Toque de Acalanto, que tenho publicado através do site Clube de Autores, neste ano de 2017. E por minha vez tenho de registrar o dia 20 de outubro, deste ano de 2017 como um dia muito importante para mim, um grande abraço aos amigos leitores!

Imagem de entrega feita pelo Correios referente ao livro "Toque de Acalanto: Poesias".
Recebimento do livro "Toque de Acalanto: Poesias".

12 agosto, 2017

Viajar

   Quem sabe viajar pelo mundo a fora, ser conhecido por milhares de pessoas, fazer vários amigos, conhecer outros idiomas, outras culturas, religiões, leis... Com certeza é tudo o que muita gente gostaria de fazer.

   Eu por minha vez sou uma dessas pessoas que gostaria muito de viajar pelo mundo a fora, conhecer tudo o que existe no mundo, nem que seja a metade, e todos tem esse sonho, e sou um sonhador, que vivencia tudo isso.

    Mas, posso viajar nas palavras, na leitura de livros, e entrar em vários mundos, a leitura tem toda essa capacidade de nos transportar para vários universos de nossa imaginação, a leitura por sua vez é muito importante, mais que uma simples terapia.

    Então eu fotografo as palavras, para poder depois traça-la, e traçando as palavras vou lapidando-na, e aperfeiçoando-na cada vez mais.

   Quem ler escreve, e quem escreve tem de ler muito, para poder ao longo do tempo fazer uma boa escrita, e assim a gente viaja também, viaja no mundo das palavras, que também nos trás imagens, som, aroma, podemos fazer uso de todos os sentidos, para vivenciar cada momento.




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