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25 maio, 2026

Um mar revolto

Areia molhada e uma calha
A respingar chuva
Transbordando pela janela,
Coragem, e voava os sonhos,
A rede de descanso
Não mais ia e voltava,
Casa molhada, gatos
Passeando de um lado
A outro, fatos, relatos
Mundo imenso, mundo
Em meu ser pequeno,
De sonhos grandes
Do tamanho do mundo.
Beijos de jovens, praça vazia
Homens e mulheres
De mãos dadas
Não caminhavam pela rua,
Crianças não brincavam
De bicicleta, muito menos
De bola, senhores de idade
Isolados em suas casas.
Um governo a mentir
A economia do país
Um exército de andorinhas
Felizes fora do seu território,
Que nunca é o mesmo.
Desmatamento, poluição no ar,
Poluição noturna,
Milhares de seres sendo
Jorrado pelo ralo,
Gente na rede se conectando
Com quem nunca
Vai ver na vida real,
Solidão, suicídio
Morte de segundos,
Acidente vascular,
Bala perdida,
Gente afogada mesmo
Não estando no fundo
Do poço,
Nadamos no seco,
Sorrimos nossa desgraça.
Notícias sangrando
Morte prematura,
Assassinatos.
Tv de qualidade
Transmitindo em 3d
O real como se fosse
Imaginário.
Regras não foram feitas
Para serem apenas
Seguidas.
A constituição falha
E cremos nos “poderes”
A esperança vive no meu peito,
Creio em Deus,
E todos creem em algo,
Sozinhos não somos nada,
E nos isolamos, cada vez
Mais.
Rádio ligado, música
Com letras de múltiplos
Sentidos, e não é poesia.
Nada encanta,
Estimula o prazer
Do comodismo.
Meu bem quero café,
A vida vai passando
Acendo o cigarro
Mato-me aos poucos
(Não tenho pressa de morrer),
E nada parece valer a pena,
Meu bem, não há nada
A se lastimar, é o que parece,
Uma dose de conhaque
A agredir os orgãos,
Hoje não havera noite
De sexo, não leremos o jornal
Impresso.
Meu bem, sustentamos nossa
Hipocrisia, morremos
Pensando em renascer,
E nem sempre se encontra
A paz no branco
Manchado com elemento
Estranhos a corroer
O tempo enferrujado,
O mar revolto, dentro
Da gente, um mar revolto
Dentro da gente.

Na imagem Valter Bitencourt Júnior usando óculos com lentes preta e camisa preta.
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


12 maio, 2026

A Arte Além do Engajamento: O Poder da Conscientização no Pagode

A arte também é conscientizar e ganha uma grande importância quando usada de forma benéfica e justa, como um dos meios de gerar conscientização e impacto significativo na sociedade (logo, me refiro à arte em si, como um todo). Acabei de assistir a um vídeo em que o cantor conhecido como "O Kanalha" canta a sua nova música contra a violência às mulheres. Excelente iniciativa que ele tem tomado; a luta contra o feminicídio continua. Ele inclui na música estatísticas e fatos reais sobre a violência contra as mulheres.

Tenho assistido, antes de ver esse outro vídeo, ele falando que perdeu seguidores e que, se ele canta músicas com letras de múltiplos sentidos, as pessoas escutam; e falou sobre um vídeo recente que teve um grande alcance de público: quando o assunto é conscientização, muitas dessas pessoas perdem o interesse. Muitos cantores descobriram que o que gera engajamento e até mesmo receita, seja na internet ou em shows, são músicas com palavras de duplos sentidos, com cunho, muitas das vezes, sexual e depreciativo, e que colocam a mulher como um objeto sexual (muitas das vezes); letras que citam drogas lícitas e ilícitas.

Quando "O Kanalha" cria a música titulada "Mulheres merecem respeito", ele mostra que é capaz de quebrar esse ciclo; em vez de dever oferecer ao público o que ele quer, o artista se torna livre e ganha independência. Lembrei de um sucesso que foi lançado em 2007, titulado como "Mulher brasileira (toda boa)", música composta pelos artistas J. Telles (Jorge Telles), Pepê e Márcio Vitor abordando a autoestima da mulher. Vejo essa música como uma das belas canções do pagode, que fez um grande sucesso através de Psirico.

Tem muita gente que fala super mal do pagode; são poucos que querem enxergar o que de fato se passa. Muitos desses artistas oferecem, como já citei acima, o que o público quer; eles se sustentam através disso, virou um dos meios de sobrevivência. O ser se torna escravo do público sem que ao menos perceba: a necessidade de ganhar dinheiro, o querer se tornar famoso e reconhecido de alguma forma. Até que o ser tenta buscar o seu próprio ritmo e renovar de alguma forma, ele passa, nessa questão, por algumas dificuldades, porque o público que ele atraiu é justamente o público que ele acabou cultivando através de suas letras.

Temos grandes artistas, quanto a isso não temos dúvida alguma. Cada artista busca construir o seu próprio público. Citei apenas dois artistas, porém sabemos que tem muitos outros quebrando esse ciclo e conseguindo superar. É claro que ele pode cantar várias outras músicas com letras de duplo sentido; esse choque de público que ele percebeu é muito importante para o próprio crescimento artístico.

Imagem reprodução, na imagem aparece o artista "O Kanalha".
Imagem: Reprodução 


24 novembro, 2021

Artistas da Terra da Cruz Cantam Ednardo


Artistas da Terra da Cruz, cantam músicas de Ednardo, no Theatro José de Alencar, no dia, 25, das 20h às 23h, realização: CDL - Câmara dos Dirigentes Logistas. 

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