10 maio, 2026

A Posse e a Desconstrução do Ter: O Caminho para a Humanização

O ser vai, ao longo do tempo, aprendendo a ter posse do que há por sua volta; o "é meu" é uma das palavras de propriedade em que todos querem segurar e dominar. Percebo a forma como algumas pessoas agem: todos, por sua vez, querem mostrar ter posse de bens materiais ou não materiais.

Desde o início da humanidade, o ser quer mostrar ter domínio e posse das coisas e brigam por isso, porque nem todos querem abrir mão do que lhes pertence. É claro que tem o seu lado positivo e negativo: positivo no quesito de que tem a consciência de posse, desde que não venha a ferir os direitos dos outros; negativo no quesito de apego e apropriação. O ser é humano por ter a consciência do que lhe pertence e se torna desumano na medida em que faz uso dessa consciência como forma de domínio ao outro: a escravização humana provocada através dela mesma. O ser humano pode ter consciência do que lhe pertence, compreende o espaço e suas limitações. Sabe-se também que existe, diante da posse, muitos dos direitos negados.

Todos ganham essa característica de posse desde o nascimento, por mais que ainda não se identifique o nome das coisas e para que servem; a posse, por sua vez, se torna uma questão de sobrevivência. O ser sente o que falta e, ao longo do tempo, vai aprendendo sobre as suas necessidades e existência; e, a partir da posse das coisas, também vai aprendendo a abrir mão como forma de libertação. Mas esse abrir mão depende do tipo de posse — por exemplo, de bens materiais, quando o ser percebe a importância de compartilhar e que não vive sozinho; ou, quem sabe, de acreditar ser dono do outro por questões abstratas ou por morarem juntos. Do concreto ao abstrato, o ser muitas das vezes busca ter posse como forma de autoridade sobre as coisas; isso já é do próprio ser humano e de seus instintos.

Quem muito demonstra ter posse das coisas busca mostrar autoridade; o "é meu" pode se tornar uma forma de diminuir o outro ou fazer com que o outro tenha a consciência do que não lhe pertence e do que é de si mesmo. Assim como há os que dizem "ter", também há os que dizem "não ter", logo percebemos as desigualdades. A desigualdade formada através de uma história passada que deixou herdeiros e uma dívida histórica que veio se formando ao longo do tempo, de pessoas que se tornaram escravizadas por impostores que se apropriaram de terras e se fizeram donas. A propriedade privada se torna desumana quando sabemos que há uma grande concentração de terras nas mãos de uma única pessoa, pessoa essa que se utilizou, muitas das vezes, da mão de obra escrava por muitos anos; divisão de terras é a luta por direitos negados e a busca incessante de justiça.

Percebe-se que há o lado negativo e positivo: o processo de aprendizagem e o seu amadurecimento da compreensão do significado de posse e o significado e sentido de ser humano na medida em que aprende a compartilhar e ser íntegro; da posse à desconstrução dela mesma como forma de humanização da própria espécie.

Na imagem Valter Bitencourt Júnior, em formato de desenho feito através de ia, usando óculos, camisa azul
Valter Bitencourt Júnior, Salvador, Bahia, Brasil.


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