12 maio, 2026

A Arte Além do Engajamento: O Poder da Conscientização no Pagode

A arte também é conscientizar e ganha uma grande importância quando usada de forma benéfica e justa, como um dos meios de gerar conscientização e impacto significativo na sociedade (logo, me refiro à arte em si, como um todo). Acabei de assistir a um vídeo em que o cantor conhecido como "O Kanalha" canta a sua nova música contra a violência às mulheres. Excelente iniciativa que ele tem tomado; a luta contra o feminicídio continua. Ele inclui na música estatísticas e fatos reais sobre a violência contra as mulheres.

Tenho assistido, antes de ver esse outro vídeo, ele falando que perdeu seguidores e que, se ele canta músicas com letras de múltiplos sentidos, as pessoas escutam; e falou sobre um vídeo recente que teve um grande alcance de público: quando o assunto é conscientização, muitas dessas pessoas perdem o interesse. Muitos cantores descobriram que o que gera engajamento e até mesmo receita, seja na internet ou em shows, são músicas com palavras de duplos sentidos, com cunho, muitas das vezes, sexual e depreciativo, e que colocam a mulher como um objeto sexual (muitas das vezes); letras que citam drogas lícitas e ilícitas.

Quando "O Kanalha" cria a música titulada "Mulheres merecem respeito", ele mostra que é capaz de quebrar esse ciclo; em vez de dever oferecer ao público o que ele quer, o artista se torna livre e ganha independência. Lembrei de um sucesso que foi lançado em 2007, titulado como "Mulher brasileira (toda boa)", música composta pelos artistas J. Telles (Jorge Telles), Pepê e Márcio Vitor abordando a autoestima da mulher. Vejo essa música como uma das belas canções do pagode, que fez um grande sucesso através de Psirico.

Tem muita gente que fala super mal do pagode; são poucos que querem enxergar o que de fato se passa. Muitos desses artistas oferecem, como já citei acima, o que o público quer; eles se sustentam através disso, virou um dos meios de sobrevivência. O ser se torna escravo do público sem que ao menos perceba: a necessidade de ganhar dinheiro, o querer se tornar famoso e reconhecido de alguma forma. Até que o ser tenta buscar o seu próprio ritmo e renovar de alguma forma, ele passa, nessa questão, por algumas dificuldades, porque o público que ele atraiu é justamente o público que ele acabou cultivando através de suas letras.

Temos grandes artistas, quanto a isso não temos dúvida alguma. Cada artista busca construir o seu próprio público. Citei apenas dois artistas, porém sabemos que tem muitos outros quebrando esse ciclo e conseguindo superar. É claro que ele pode cantar várias outras músicas com letras de duplo sentido; esse choque de público que ele percebeu é muito importante para o próprio crescimento artístico.

Imagem reprodução, na imagem aparece o artista "O Kanalha".
Imagem: Reprodução 


10 maio, 2026

A Posse e a Desconstrução do Ter: O Caminho para a Humanização

O ser vai, ao longo do tempo, aprendendo a ter posse do que há por sua volta; o "é meu" é uma das palavras de propriedade em que todos querem segurar e dominar. Percebo a forma como algumas pessoas agem: todos, por sua vez, querem mostrar ter posse de bens materiais ou não materiais.

Desde o início da humanidade, o ser quer mostrar ter domínio e posse das coisas e brigam por isso, porque nem todos querem abrir mão do que lhes pertence. É claro que tem o seu lado positivo e negativo: positivo no quesito de que tem a consciência de posse, desde que não venha a ferir os direitos dos outros; negativo no quesito de apego e apropriação. O ser é humano por ter a consciência do que lhe pertence e se torna desumano na medida em que faz uso dessa consciência como forma de domínio ao outro: a escravização humana provocada através dela mesma. O ser humano pode ter consciência do que lhe pertence, compreende o espaço e suas limitações. Sabe-se também que existe, diante da posse, muitos dos direitos negados.

Todos ganham essa característica de posse desde o nascimento, por mais que ainda não se identifique o nome das coisas e para que servem; a posse, por sua vez, se torna uma questão de sobrevivência. O ser sente o que falta e, ao longo do tempo, vai aprendendo sobre as suas necessidades e existência; e, a partir da posse das coisas, também vai aprendendo a abrir mão como forma de libertação. Mas esse abrir mão depende do tipo de posse — por exemplo, de bens materiais, quando o ser percebe a importância de compartilhar e que não vive sozinho; ou, quem sabe, de acreditar ser dono do outro por questões abstratas ou por morarem juntos. Do concreto ao abstrato, o ser muitas das vezes busca ter posse como forma de autoridade sobre as coisas; isso já é do próprio ser humano e de seus instintos.

Quem muito demonstra ter posse das coisas busca mostrar autoridade; o "é meu" pode se tornar uma forma de diminuir o outro ou fazer com que o outro tenha a consciência do que não lhe pertence e do que é de si mesmo. Assim como há os que dizem "ter", também há os que dizem "não ter", logo percebemos as desigualdades. A desigualdade formada através de uma história passada que deixou herdeiros e uma dívida histórica que veio se formando ao longo do tempo, de pessoas que se tornaram escravizadas por impostores que se apropriaram de terras e se fizeram donas. A propriedade privada se torna desumana quando sabemos que há uma grande concentração de terras nas mãos de uma única pessoa, pessoa essa que se utilizou, muitas das vezes, da mão de obra escrava por muitos anos; divisão de terras é a luta por direitos negados e a busca incessante de justiça.

Percebe-se que há o lado negativo e positivo: o processo de aprendizagem e o seu amadurecimento da compreensão do significado de posse e o significado e sentido de ser humano na medida em que aprende a compartilhar e ser íntegro; da posse à desconstrução dela mesma como forma de humanização da própria espécie.

Na imagem Valter Bitencourt Júnior, em formato de desenho feito através de ia, usando óculos, camisa azul
Valter Bitencourt Júnior, Salvador, Bahia, Brasil.


Seu tudo

Sou a criatura
Mais feia!
É o que dizem
E me aparece
Você vendo-me
Seu tudo!

Valter Bitencourt Júnior usando óculos de grau, camisa polo listrada com as cores vermelhas e brancas.
Valter Bitencourt Júnior, poeta escritor e blogueiro.


08 maio, 2026

Tudo está azul

Sinto um lindo cheiro no ar!
Alguma coisa vem de longe
Caminhando como uma dança
Cheiros de mar
Dentre as nuvens
De todos os meus sonhos
Ilusão...
É a essência do dia
Que me desfaz de todos os tormentos!...

De todos os momentos
Enquanto isso passa,
Tempo!



Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.

Vaidade

Corrompe
A beleza
De todos os
Instantes!

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Nostalgia

Pra mim o rio já te cansou;
A maré te levou;
O passado te machucou
O hoje já morreu
O ontem sequer ressuscita
Os seus prantos se secaram
As cachoeiras se afugentaram
Por te verem as nuvens
Desmancharam-se
E a pergunta fica
O que tanto te fustiga?

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Monólogo

Gostoso é o nosso
Expressar:
Intimo quente, prazeroso, suave...
Nos lastimáveis momentos
Subitamente nos afastaremos
Para não fustigar as flores
Para não romper as rosas...
Quero enfatizar o amor,
Fantasiar a nossa vida.
Rapidamente não te avisto
Bato-me com os dentes
Faz-me derreter os olhos,
Não conseguindo
Avistar beleza.
E faço a minha vida
Um monólogo
Sombrio sem respostas.

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


06 maio, 2026

Mundo de traição

Mundo de traição
E desconfiança,
Ser humano
Nem sempre é humano
- Desumano.
Racional que se torna
Irracional,
Consciente que não
Controla o impulso
Se torna inconsciente:
- Até onde o ser pode ir?
- Até onde vai a monstruosidade
Humana?
Gente se matando aos poucos,
Gente se esquecendo
Que também é gente,
Gente por entre o ego
- Sobe o nariz.
Gente vaidosa,
Humilha que muitas das vezes
Não percebe:
- Que pode ficar sozinha.
Gente que se esquece
De se olhar no espelho:
- Preconceituosa.
Gente que cria o próprio
Apocalipse.
Ainda há gente
Que soltaria Barrabás
E mandaria crucificar
Cristo,
Em nome do pai
Do filho
Do espírito santo
Amém!

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.




05 maio, 2026

Laços de Humanidade: O Olhar Imprevisível do Cotidiano

A vida é como uma crônica em que o escritor escreve de forma imprevisível; o tempo passa na medida em que se relatam os acontecimentos cotidianos com o olhar que busca captar os mínimos detalhes. Sinto isso ao fazer a leitura do livro "Crônicas para ler em qualquer lugar". Esse livro mostra a essência de cada um dos três escritores: Xico Sá, Maria Ribeiro e Gregório Duvivier. As crônicas, por incrível que pareça, acabam complementando umas às outras.

Anteriormente, senti a necessidade de escrever sobre a borboleta amarela, mas o faço agora graças à leitura da crônica de Xico Sá, "O desafio da borboleta amarela". Nela, ele cita Rubem Braga e Clarice Lispector, apontando Humberto Werneck como o atual vencedor dessa arte de segui-la. É claro que acabei recorrendo também à crônica de Rubem Braga, "A Borboleta Amarela" — Retornando às leituras do livro "Crônicas para ler em qualquer lugar", surpreendo-me com a crônica de Gregório Duvivier sobre os caçadores de likes. Intitulada "A gente não quer só comida, a gente quer postar e quer ganhar like", ela me fez refletir sobre a borboleta amarela diante da tecnologia atual. Notei o falso prêmio das rolagens infinitas e o quanto estamos presos à tela, perdendo a borboleta de vista. Se antes era difícil enxergá-la, hoje tornou-se ainda mais; mesmo assim, continuamos alimentando nossa sede de forma ilusória. Maria Ribeiro, por sua vez, conecta esses pontos ao destacar a política como forma de união — seja em um show de Gilberto Gil e Caetano Veloso, ou na gratidão pela existência de Chico Buarque. Sua crônica "Obrigada, Bolsonaro" é carregada de ironia; talvez esse ser tenha sido um mal necessário para que, diante de momentos sombrios, lembremos que somos humanos necessitados de união para nos mantermos de pé.

É impossível não citar a crônica "A desaletrada da Rocinha", escrita por Xico Sá, que conta a história de uma senhora de idade. A história de Lindacy Menezes e a sua descoberta pelas letras aos seus 64 anos mostra a importância da arte da leitura e da escrita; o pedido de desculpa e se considerar desaletrada, e mesmo assim ter a ciência de que tomou gosto por dizer as coisas e contar a própria história, é de um valor extraordinário. Também é bom pontuar a importância de projetos literários nos bairros periféricos; foi graças à oficina "Festa Literária das Periferias" (FLUP) que foi descoberta a Lindacy e o reconhecimento de que fora revelada uma narradora de primeira, tendo Zuenir Ventura como alguém da plateia a prestigiar e também reconhecer o talento. Mas a crônica não para por aí; também cita questões de violência e a situação da Rocinha, assim como o caso Amarildo. Mas fico com as palavras finais do cronista, de agradecimento pelas lições de existência e o desabafo pessoal que por sua vez ganha o sentido universal, de se todos os ditos letrados fossem iguais à Lindacy. — Impossível não concordar com o cronista e seu lado humano de captar cada detalhe.

São três cronistas que se complementam de forma fantástica com várias outras crônicas incríveis. São crônicas para realmente ler em qualquer lugar e reacender o calor humano; é o despertar das ideias que compõem os laços da humanidade como o alçar do voo da borboleta.


Imagem da capa do livro "Crônicas para ler em qualquer lugar", por Xico Sá, Gregório Duvivier e Maria Ribeiro
Imagem da capa do livro "Crônicas para ler em qualquer lugar", por Xico Sá, Gregório Duvivier e Maria Ribeiro.


Passos

Teus olhos estão ao vento,
Descendo cachoeiras,
Ao mar feito pingos
De chuva.
Tento avistar cada elemento;
Tento gozar cada momento;
Tento beijar cada movimento,
Lasso ao sol até cada crisântemo
Tenho de avistar tudo
Em um clarão
E ver tudo em neblina
Mentir para continuar;
Partir para atenuar;
Progredir para averiguar;
Cada passo inusitado
Vou gritar ao mundo.
Cada poesia feita em chamas
E vou murmurar cada
Perda e ternura.

Na imagem Valter Bitencourt Júnior, usando óculos e camisa branca
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Indecisão

Viver,
Morrer,
Ressuscitar
Extremos da vida
Tudo vai do que
Fica, tudo
Foge...
Em tormentos
Mas, no fundo,
Tudo é vício,
Tudo é droga
Coca-cola
Deita e rola
Num papel de cetim
E eu vou
E nunca fico...


Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.

Sensibilidade

Sou o poeta sensível
Citando fúria,
Sou uma mariposa
Maquiada,
Soltando esporo,
Sou a mais frágil
De todas as derrotas,
E solto palavras de amores
Como defesa.
Sempre dos que amam
Me incorpora
Amo tudo, a vida,
A morte, a estrada,
A sorte, a pedra
O refugio...
E no fim não passo
De um beija-flor
Lambuzado, tomando uma
Superdose de amor. Oh!
Ilusão camuflada
Num vermelho e azul
Tristes neblinas.


Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.

29 abril, 2026

Torto Arado: A luta da ancestralidade e a formação da identidade de um povo

O livro "Torto Arado", de Itamar Vieira Junior, não resgata a fala do povo em que a história é narrada. Mesmo não fazendo esse resgate da fala, ele conseguiu levar elementos e costumes antigos que ainda se encontram presentes em nossa atualidade; faz com que o leitor sinta-se, muitas das vezes, dentro do livro. O traço se torna contemporâneo e quebra a visão de regionalismo; ganha um sentido universal na medida em que a história é narrada, não como forma de resgatar as tradições apenas, mas de fazer com que o leitor seja levado ao contexto do que foi narrado por Bibiana e, mais à frente, Belonísia. No desenrolar da história, também dá para sentir a mudança de estilo de escrita, como se apontasse Belonísia com uma idade avançada. O autor soube diferenciar a forma que cada uma narra a história, o traço da escrita e o aspecto de cada uma: de alguém que foi ganhando uma visão politizada para alguém que se tornou da terra e que ganhou essa visão com o tempo, assim não unificando a narração e dando sentido ao contexto. A terceira personagem narrando a terceira parte do livro é Santa Rita Pescadeira, o que se faz necessário para amarrar a história que foi traçada da primeira parte até a última, lembrando que a história é dividida em 3 partes: Fio de Ferro, Faca de Ponta e Rio de Sangue.


A obra, se comparada com o regionalismo, em que muitas das obras descreviam a transição da região para a urbanização, a civilização de seu povo, o surgimento do comércio e da industrialização, ganha importância no fato de que houve a ocupação do espaço e de que havia sempre pessoas que ali chegavam na busca de moradia e trabalho; o desenvolvimento se torna a questão de visão política, do contexto social e da crença. De forma fluida e contemporânea, a obra ganhou um aspecto que tem chamado a atenção de diversos críticos literários: a renovação e a fluidez das ideias. O autor universalizou a obra de acordo com a visão de um autor de nossa atualidade, sem abrir brechas para que a leitura se torne cansativa. Essa visão não é uma forma de descartar as obras regionalistas escritas por pessoas daquela época; deve ser entendida como uma obra feita por alguém que já se encontra na contemporaneidade e sujeito a mudanças provocadas pelo tempo, visão também que vem a partir de anos e anos de estudos. Alguns comparam à Literatura Periférica; pelo contexto histórico é a partir da abolição que surgem as periferias; essa visão é importante na medida em que o ser passa a conhecer o contexto histórico presente no livro e a formação do povo, que por sua vez lutava por moradia e trabalho.


Nem toda obra tem que ser lida como regionalista somente pelo fato de ter sido escrita no Nordeste e conter os traços ou falas nordestinas. Desde que se sabe que há outros elementos presentes que podem oferecer outras classificações, a obra também é afrodescendente, no resgate de elementos tradicionais inseridos no contexto da história e seus elos políticos, sociais e humanos.


A terra Água Negra é um reflexo de um passado em que os que foram libertos na escravidão passaram a ganhar um pedaço de terra para morar e, em troca, pagar através do que produziam nessas terras. Bibiana descreve com precisão o quanto aquilo era um meio de exploração dos que ali habitavam diante do proprietário, que não somente cobrava o trabalho braçal, como também parte do que era ganho através das vendas externas. A necessidade da existência de escolas para que os filhos dos trabalhadores tivessem o direito de aprender a ler e a escrever despertou a sede de Bibiana de explorar outros lugares; logo surgiu o primo Severo, que queria sair de Água Negra para explorar outros ambientes; surgiu uma visão política.


A curiosidade de Bibiana e Belonísia de saber o que Donana guardava na mala é o aspecto de qualquer criança que quer descobrir os mistérios que lhe são reservados em segredo, porém havia a consciência de que, ao abrir aquela mala, iriam desapontar Donana, que muito nelas confiava. O acidente que ambas sofreram e a língua de Belonísia, que foi atingida, apontaram que não havia hospital em Água Negra e que tinham de ir para a cidade, o que matou a curiosidade de ambas em saber como era o caminho, diante da situação pela qual passavam. As mãos de Donana pesando em suas cabeças são, ao mesmo tempo, o sentimento de culpa e preocupação e a ligação de acontecimentos passados que voltava a preocupar. O pai seguia a tradição preparando ervas para curar a filha, mas a chegada ao hospital fez com que ele mudasse de postura como forma de não receber retaliação por seus feitos tradicionais. Como se entrasse na história de "Mil e uma Noites", onde se estabeleceu a justiça e a razão, houve o reconhecimento de Zeca Chapéu Grande de que a sua prática não era aceita e a ocultação de sua identidade. Voltando-se a Belonísia e a Bibiana, esse ciclo se fecha como dois elos de forma contrária: enquanto na história árabe Sherazade usa a palavra para adiar a morte, em "Torto Arado" o silêncio de Belonísia e a voz de Bibiana se tornam ferramentas de sobrevivência. Enquanto o pai oculta a voz para sobreviver ao sistema, como razão de sobrevivência, Bibiana expõe a voz para mudar o sistema, como razão de luta, e Belonísia usa o silêncio para não ser destruída por ele, como razão de existência. Quanto à mãe? Salustiana assume o papel da busca de compreensão dos elos.


Donana, por sua vez, busca dar fim à faca que carregava o peso de tragédias passadas e, em um gesto de tentativa de apagamento do trauma, enterra o objeto em uma área próxima ao rio, esperando que a terra e a umidade consumissem aquele segredo. No entanto, anos depois, após a fuga de Bibiana com Severo, Belonísia, já em sua fase de amadurecimento e solidão na fazenda, a encontra novamente ao cavar o solo. Esse ciclo se torna essencial na narrativa porque marca a transformação da dor em resistência e diferencia o papel das irmãs: enquanto Bibiana parte para lutar através da política e das palavras, Belonísia permanece como a força guardiã que preserva a ancestralidade no território. O que antes era um símbolo de mutilação e silêncio forçado, ao ser desenterrado, transmuta-se em um instrumento de justiça; a faca deixa de ser uma ferida na linhagem das mulheres da família para se tornar a ferramenta que, nas mãos de Belonísia, finalmente corta o ciclo de opressão imposto pelos senhores da fazenda.


A compreensão plena desse ciclo só se completa próximo ao final do livro, quando as camadas do passado de Donana são reveladas: a morte de seu primeiro marido e a violência de seu segundo companheiro, que culminou no abuso sofrido por sua filha, Carmelita. Revelam-se trauma ancestral, o assassinato do agressor cometido por Donana com aquela mesma faca e a subsequente expulsão de Carmelita. Ao desenterrar a faca, Belonísia não resgata apenas um metal, mas reconecta-se com toda a história de sobrevivência, substituição e silenciamento da linhagem de sua avó Donana.


E, é claro, diante desse contexto, há a necessidade de alguém que seja visto como uma 'cura dos problemas'. O autor soube colocar essa questão em que Zeca Chapéu Grande era, além de um líder de família, um curador da região através do conhecimento das ervas e das tradições que mantêm e sustentam os elos de todo um povo que se reencontra e se identifica; destaca-se a importância do terreiro em um ambiente em que muitos estavam ali ocupando espaço como meio de garantir a moradia e o alimento. O jarê tornou-se um espaço de resistência.


Surge a importância das parteiras e o seu papel fundamental: de Donana ao filho Zeca Chapéu Grande, que fazia esse trabalho e ao passar para a esposa Salu a responsabilidade de ser parteira. É mostrado também o fato de ele ser homem e o quanto isso o deixava constrangido, bem como a questão de receber entidades femininas e a caracterização de acordo com elas; Zeca Chapéu Grande tinha que fazer uso de saias. Isso não tirava dele a visão de importância que tinha para todo o povo que ali vivia e se instalava ao longo do tempo.


A descoberta da traição entre as irmãs Crispina e Crispiana foi mais um dos pontos alarmantes. A gravidez de ambas, causada pela mesma pessoa, é um dos pontos críticos que faz com que se reflita sobre uma questão delicada, não somente de traição, mas também de desolação, sofrimento e o enlouquecimento diante da descoberta e a busca de cura através da ajuda de Zeca Chapéu Grande. Ele teve que hospedar a paciente até a cura, apontando se a situação era curável. Uma delas perdeu o filho, e a que perdeu o filho virou mãe de leite; o que aproximou as irmãs novamente, isso foi o que ficou refletido na mente de Bibiana, pois ela viu todo o contexto e escutou de que o pai das moças queria matar quem as engravidou.


Apesar de muitos verem o relacionamento entre primos como pecado, não era estranho para aquela época e região pequena, em que muitos acabavam se atraindo e gerando família. Bibiana, ao entregar Belonísia para a mãe dizendo que ela estava com Severo, fez com que ela levasse uma surra; essa passagem mostra a inocência de duas crianças que ainda não tinham maldade e a forma com que os adultos as puniam. Aponta também o ciúme de Bibiana por ser a mais velha e mostra a visão avançada da irmã. O caso de Severo com Bibiana e a gravidez dela fizeram com que ela refletisse sobre o que escutou, despertando o medo da reação dos pais e de como as demais pessoas veriam isso. A necessidade de fugir tornou-se presente, não somente para lutar por uma vida melhor, mas pelo que poderia acontecer caso permanecessem em Água Negra.


Donana é o ser que ganha importância pela sua idade e vivência. Ela leva os leitores a momentos em que vemos senhores de idade falando sozinhos; cochichando palavras que, muitas vezes, tornam-se incompreensíveis, remetendo a lembranças de avós que falavam sós enquanto costuravam. Donana fala sozinha como forma de manter vivos os antepassados e seus acontecimentos, em um diálogo de conciliação, enxerga a neta como se fosse a filha Carmelita. O respeito aos mais velhos é o que a tradição preza; saber que ela já estava em idade avançada e trocando os nomes das netas, ou vendo o cachorro Fusco como uma onça. Ao longo da leitura, entendemos os motivos: a quebra de obrigação de assumir o jarê, o filho castigado ficando louco, a fuga e o que tornou Zeca Chapéu Grande uma peça importante para Água Negra.


Com a partida de Bibiana, Belonísia assume a narração, apontando a injustiça de terem que dar parte do que produziam para a família Peixoto através do gerente Sutério e o abuso de ele apropriar-se do que era plantado e vendido; isso mostra Belonísia deixando de ser criança. O surgimento de Tobias, escolhido pelo pai para morar com ela, reflete a época em que muitas não escolhiam com quem se relacionar. Bibiana foi diferente, e talvez por isso Belonísia tenha sentido como se tivesse traído a irmã com a denúncia do passado. Diante do mistério do chapéu grande, Donana passou a ser chamada apenas de Donana, e Zeca levou o restante do apelido.


Ao morar com Tobias, Belonísia deparou-se com a casa suja e sentiu vontade de voltar para os pais. O autor mostra que ela foi entregue ao papel de dona do lar; ela assumiu a tarefa como se fosse o normal da vida de um casal. Tobias vai trabalhar, comunica a Belonísia de que ela pode preparar o almoço. No retorno de Tobias, ele bebe, ela serve o almoço e fica ao seu lado, criando a ideia de fidelidade e submissão. O contato sexual era algo esperado, mas ela não sabia como começar; sentiu alívio quando não aconteceu logo na chegada, o que aconteceu pela noite, o silêncio de Belonísia representa também a sua violação; a leitura não tem que ser feita somente como se fosse um acidente anterior. A questão da agressão da mulher o que muito acontecia em Água Negra. A Maria Cabocla correu até a casa de Tobias e encontrou Belonísia, Maria Cabocla ficou com medo de apanhar do marido Aparecido. Isso fez com que Belonísia refletisse que Tobias também poderia se tornar um agressor físico, o que quase ocorreu mais adiante. Com o tempo, Tobias passou a chegar embriagado e a questionar Belonísia, até derrubar o prato de comida e gritar sobre o fato de ela ser muda. Ali nasceu o que se esperava: o homem assumindo o papel de quem dita as regras, vindo da criação, da religião e do que o Estado impõe.


A descoberta do falecimento de Tobias ocorre em uma trama de mistério. Belonísia torna-se viúva, carregando um fardo como o de Donana. No velório, a família esperava que ela demonstrasse sentimento, mas ela sentiu vontade de rir, embora soubesse que não soaria bem. Ela decide morar sozinha na mesma casa, uma decisão firme de autonomia, reconhecendo que o espaço lhe pertence pelo que cultivou. Maria Cabocla aparece novamente com medo do marido, e Belonísia vai ajudá-la, sentindo o instinto de arrumar o desarrumado. Maria Cabocla expulsa Aparecido, que questiona ser o dono da casa, enquanto os filhos clamam para que ele fique, habituados à violência. Belonísia preocupou-se com o sustento da amiga sem um homem, visão herdada dos antepassados, mas compreendeu a necessidade daquela nova vida.


O retorno de Bibiana e Severo trouxe a construção de uma casa próxima aos pais, mantendo os costumes. Bibiana torna-se professora, e Severo leva adiante ideias sindicalistas, respeitando Zeca Chapéu Grande. Zeca foi aposentado pelo Estado, o que via como indenização pelo suor derramado, após dificuldades com documentações junto aos proprietários. Com a morte de Zeca, o livro resgata sua história como José Alcino da Silva, algo necessário para dar sentido às partes anteriores. Também discorre sobre o contexto geográfico dos diamantes e a busca da riqueza.


Rita Pescadeira narra a morte de Severo, provocada pelos donos da terra, como o Coronel Salomão, como forma de silenciamento. Apesar de serem vistos como moradores, a exploração continuava sob uma falsa justiça de posse. Severo foi fundamental na garantia de direitos, e isso custou sua vida. Bibiana assume seu papel através da visão social e justiça. Na narrativa, percebe-se a terceira voz, de Santa Rita Pescadeira, que se mistura às vozes das irmãs. Após a morte de Severo, uma falsa investigação policial acusou-o descabidamente de tráfico de drogas, causando indignação. É a luta continuada pelo direito à terra e por casas que não sejam de barro, mas de materiais resistentes como as dos proprietários, casa essa que muitos nutriram a vontade de incendiar como forma de justiça pelo assassinato de Severo.


A personagem Estela entra em cena como forma de apontar que também havia o conflito religioso, já que ela era evangélica e tinha o papel de evangelizar e ir contra a tradição que ali foi cultuada. A esposa do novo proprietário, Salomão, mostrou que não houve apenas mudanças que geraram conflito entre as partes. A polícia se tornando presente e os crimes que passaram a surgir como forma de silenciar os demais fortaleceram a sede por justiça entre os que ali habitavam, mas houve também um choque político, cultural, social e religioso: o entendimento de que aquele povo é quilombola e a tentativa de negação de suas raízes.


A obra revela que, diante do apaziguamento que Zeca Chapéu Grande estabeleceu com os proprietários da terra como forma de demonstrar gratidão pela moradia e trabalho, Severo teve uma grande importância na conscientização da população que ali habitava. A morte de Zeca trouxe um novo roteiro, assim como a venda das terras para um novo proprietário, o Coronel Salomão. Mais adiante, a morte de Severo foi o estopim para que a luta por justiça ganhasse força real. O assassinato injusto e o descaso das autoridades romperam o antigo vínculo de gratidão e silêncio que antes impedia o confronto. A partir desse evento, a indignação de Bibiana e de todo o povo transformou-se em uma consciência política ativa, provando que a justiça não seria concedida de forma pacífica, mas sim conquistada através do reconhecimento do próprio histórico de exploração e do direito legítimo à posse da terra e indenização.


Portanto, Itamar Vieira Junior conseguiu, através da sua obra "Torto Arado", apontar o lado social e humano de todo um povo que conseguiu sobreviver aos impactos da abolição e suas consequências. Estas levaram os demais a lutar pelos seus direitos de moradia e pelo não apagamento de suas raízes, firmando-se no que já lhes pertence por direito e no seguimento da luta por justiça, não somente contra o que o reflexo do antepassado tentou vetar, mas também contra o que, na atualidade, ainda tentam negar de forma disfarçada.

Referência de leitura: VIEIRA JUNIOR, Itamar. Torto Arado. 1. ed. Rio de Janeiro: Todavia, 2019.


Foto: Giovanni Marrozzini/Intercept Brasil.



23 abril, 2026

Sina

A tragédia
Também produz dinheiro,
Para quem vive
Na ambição
De tirar proveito.
Tem gente lucrando
Da nossa miséria,
Tem gente lucrando
Da nossa desgraça,
Tem gente
Manipulando a nossa
Mente,
Tem gente zombando
Da gente.
Tem gente
De tudo que é jeito
Que tira proveito
Da nossa crença,
Que brinca
Com a nossa humildade,
Que brinca com a nossa
Lealdade:
- Sociedade vivendo na cegueira.
Tem gente que nos separa
Em oposição.
E sustentamos
Todo o sistema,
Para o nosso próprio
Desespero,
E ser visto
Como bom
Cidadão

Valter Bitencourt Júnior, Salvador, Bahia, Brasil.


22 abril, 2026

O amor em cada sorriso

Como pode o amor se perder
E sequer ser encontrado,
O amor se perdeu por entre
A beleza, e por lá ficou.
Mas o amor, o amor pode se perder?
Logo o menino saiu
Pela estrada,
E viu uma flor, sorriu
Viu os olhos da menina distante,
E sorriu,
Viu o barquinho de papel
Navegando pelo mar
E sorriu, fez um aviãozinho
E sorriu, e o amor
O amor encontra-se no olhar
De quem sabe ver a vida,
E levar na face um belo sorriso.
O amor foi encontrado,
E quem semeou o amor
Semeou pra todos
Pra que possamos saber
Viver, e quem vive
Carrega dentro de si
O amor, em cada
Sorriso.

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.




20 abril, 2026

O Artifício da Inteligência e o Domínio do Ser

A inteligência artificial não é perfeita, muito menos capaz de substituir a mente humana, e quanto a isso não restam dúvidas. Se o fosse, não seria rotulada como "artificial" — termo que remete ao artifício, aquilo que é produzido pela técnica humana e que pode transitar entre o verdadeiro e o simulado. Compreender essa distinção é vital para que o usuário utilize a tecnologia com propriedade, mantendo sempre o domínio e a condução do processo, deixando claro que a máquina deve servir ao humano, e não o contrário.

A questão é que a pergunta não deve ser se o ser usa a inteligência artificial, mas como ele a está usando. Essa reflexão deve ser direcionada a si mesmo: como estou fazendo um bom uso da tecnologia, se a utilizo como forma de organizar as ideias, como aprendizado e descoberta, ou se estou apenas sendo um produto dela.

É, claro, que a inteligência artificial somente fará sentido se estiver contribuindo para o processo criativo em vez de apenas moldar pensamentos. Uma das questões que muitos vêm discutindo é justamente o impacto da tecnologia na criação, visto que muitos a utilizam para gerar músicas, textos e poesias de forma automática. O risco reside no fato de que, ao automatizar a entrega final, o ser humano acaba por terceirizar a própria essência da arte: o esforço, a dúvida e a descoberta que ocorrem durante o ato de criar. O ser "vende gato por lebre" e, por fim, acaba desconhecendo a sua própria criação, no sentido de que não participou desse processo criativo, mesmo utilizando a inteligência artificial.

Entende-se que o ser deve ter, ao menos, o mínimo de domínio sobre o que aborda; é a necessidade da busca por um repertório próprio para, assim, estruturar as ideias. A inteligência artificial trabalha a partir de fontes externas que se baseiam em outras fontes, que por sua vez se baseiam em diversas outras. Trata-se de um encadeamento de dados vindo de origens que se conectam a outras tantas, onde a capacidade de ocorrerem erros na mistura processada pelos algoritmos torna-se imensa, assim gerando, muitas das vezes, um enfeitamento de ideias convencionais.

O que vem sendo escrito aqui não é que a pessoa tenha que parar de fazer uso da inteligência artificial, mas sim como ela a está usando. Convenhamos: se todos passarem a criar apenas através da inteligência artificial, entendendo que ela trabalha através de conectivos externos que também se baseiam em outras fontes, chegará um tempo em que todos estarão transmitindo apenas cópias através de cópias? Nesse cenário, surge o esvaziamento do pensamento original, o que vai acarretar na insatisfação de quem vai consumir, e esse choque se dá justamente ao fato de que há um público que não virou produto da inteligência artificial.

Enfim, é graças a esse público que a inteligência artificial não consegue moldar por inteiro o pensamento humano. Esse grupo assume o papel vital de compreender a necessidade do processo de criação, tratando a tecnologia como um instrumento e não sendo um instrumento dela — o que abriria espaço para o domínio das gigantes da tecnologia e sua capacidade de controlar impulsos através do algoritmo.

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Amanhã, 21 de abril: Audelina Macieira lança o livro "Amanhecer Chorando" na Bienal do Livro Bahia

Amanhã, 21 de abril, a poetisa Audelina Macieira lançará o livro "Amanhecer Chorando" na Bienal do Livro Bahia. O evento acontece a partir das 11h30, no Centro de Convenções de Salvador.

Audelina Macieira de Jesus é conhecida como Audelina Macieira, nasceu em Cachoeira (BA). É poeta, escritora e ativista cultural, participante de movimentos de literatura na Bahia. Licenciada em Pedagogia e especialista em Neuropedagogia com Psicanálise. É membro da União Baiana de Escritores (UBESC), da Confraria Artistas e Poetas Pela Paz (CAPPAZ) e vice-presidente da Academia de Letras, Músicas e Artes de Salvador (ALMAS). Audelina recebeu menção honrosa do Projeto Cultural Almas Brasileiras com o conto juvenil ‘A Velha Dona Florzinha?’ e é ganhadora do Prêmio Frederico Garcia Lorca, no gênero poesia, pela Edicom (Casa de Espanha, Rio de Janeiro, 2015). Em 2015, foi poeta destaque de Salvador, pela Associação Internacional de Escritores (Literart). Tem diversos versos traduzidos para o inglês e espanhol, participou de inúmeras antologias e coletâneas. Também é autora das obras:


  • Coração Amargo em Flor, publicada pela Editora Òmnira, 2013, com a segunda edição publicada pela Editora Novo Romance;
  • O Abraço da Esperança, pela Editora Scorteci, 2017;
  • Pobre Mulher Feminina Nordestina, pela Editora Penalux 2019

Imagem divulgação.

19 abril, 2026

A Democracia Sob Ataque: Da Colonização do Imaginário ao Hackeamento Biológico

 A democracia, quando foge de seus princípios éticos e morais, torna-se ameaçada e limita-se a uma pequena quantidade de pessoas, formada por uma base elitista. Esta, por sua vez, acaba se tornando uma "maioria" diante daqueles que não têm acesso à tecnologia ou que, tendo acesso, limitam-se ao que os algoritmos impõem, caindo nas mãos de poderosos da macroeconomia. Logo, a democracia cai nas mãos de grupos que visam, muitas vezes, perpetuar-se no poder, gerando uma falsa democracia. Essa gente ganha uma capacidade enorme de manipulação social por meio de gigantes como as Big Techs, que manipulam a verdade transmitindo falsas ideias convencionais.

Essas gigantes da tecnologia vêm ganhando força na sociedade, que consome o que o algoritmo transmite: conteúdos monetizados que geram engajamento, mas que podem causar um grande estrago psicológico naqueles que se condicionam a aceitar como verdade tudo o que é consumido. Devido a fatores convencionais que unem o verdadeiro e o falso, o ser humano acaba moldado a ponto de defender princípios que, muitas vezes, entram em desencontro com seus próprios interesses. Essa definição é conhecida como "colonização do imaginário". A democracia, por sua vez, acaba perdendo seus elos, impactando a sociedade que não consegue exercer sua função democrática através de ideais e princípios; gera-se discórdia e promove-se o ódio sob o pretexto de liberdade de expressão e preconceito.

É necessário compreender cada um desses pontos: quando o algoritmo vende o ódio e o preconceito como se fossem coragem ou liberdade de opinião, funciona como um gatilho psicológico e emocional para os usuários como forma de lucro, monetizando o conflito gerado pela discórdia. Isso acarreta a quebra da fraternidade, impedindo que os cidadãos se unam em torno de interesses comuns que visam garantir seus direitos. Passamos a ser uma sociedade dividida e cheia de ódio, facilitando a manipulação de uma elite que busca a perpetuação no poder. Assim, a soberania é, muitas vezes, entregue voluntariamente; a democracia morre porque as ideias são asfixiadas e o debate torna-se manipulado e alheio aos princípios éticos.

Estamos diante de uma engenharia do ódio, onde o conflito é selecionado como forma de obter atenção, validando o que há de mais primitivo no ser humano como meio de lucrar. Criam-se inimigos imaginários a ponto de não haver espaço para a discussão de projetos de país que visem ao seu desenvolvimento; esse diálogo corrompe-se pelos gatilhos emocionais gerados pelos algoritmos. Sem que perceba, a sociedade torna-se o maior cabo eleitoral de quem visa dominá-la, abrindo mão de seus direitos reais para defender símbolos e conexões falsas impostas.

O Papa Leão XIV foi preciso ao alertar que a democracia corre o risco de se tornar uma "tirania da maioria" ou uma "máscara para o domínio de elites econômicas e tecnológicas". É necessário que a sociedade ganhe esse conhecimento e busque compreender o que ele quer transmitir, até porque essa "maioria" citada inclui também a sociedade já subordinada aos algoritmos, para os quais seus ideais foram vendidos. Ou seja, podemos estar apenas operando o software que a elite instalou em nosso imaginário, abrindo mão de direitos fundamentais em troca de símbolos vazios ou ataques a inimigos fabricados por quem nos quer manipular. Isso é o que se conhece como "voto de cabresto digital".

Essa questão é também de saúde pública e deve ser tratada como soberania cidadã, e não como ferramenta de disputa partidária. Isso demonstra a urgência da alfabetização midiática digital, da necessidade de debates amplos e contundentes sobre a temática e da importância da regulamentação da internet — algo que deve ser debatido com seriedade. A pressão econômica é um dos fatores que impede que a regulamentação dessas redes seja implementada seriamente: as Big Techs e as elites da macroeconomia possuem orçamentos que superam o PIB de muitos países e utilizam esse poder para fazer lobby, promover-se através da monetização e convencer o público de que qualquer regulamentação é um ataque à liberdade de expressão. Na verdade, a regulamentação seria uma defesa contra a exploração, que se torna cada vez mais presente com a Inteligência Artificial (IA).

É necessário reconhecer que grande parte da sociedade já foi afetada, o que faz com que muitos se sintam isentos de contrariar o que lhes é imposto. Além disso, parte dessas pessoas descobriu na rede um meio de gerar renda, o que fortalece ainda mais as gigantes da macroeconomia. Essa turma criou armadilhas perfeitas que prendem os usuários e os limitam. Como já descrito, isso é uma questão de saúde pública. Temos ideia de quanto isso tem afetado a sociedade, inclusive a cada um de nós? Eu não estou fora dessa lista. É necessário questionar.

É fundamental que especialistas falem sobre esse assunto com propriedade, sem ocultar o que já se tornou visível para muitos, mas que persiste camuflado. Se especialistas são impedidos de falar por trabalharem para as Big Techs, que surjam vozes independentes capazes de expor essa engenharia por trás do vício e do ódio. Discute-se não apenas a democracia ameaçada, mas toda uma sociedade adoecida. Quantas pessoas já foram atingidas? Não se trata apenas de um estrago de "opinião", mas de um dano psicológico que provoca alterações reais na química cerebral e no comportamento social, causados por gatilhos de dopamina e cortisol manipulados.

O ICL Notícias foi um dos veículos que abordou o impacto na saúde mental, ligando a "rolagem infinita" a prejuízos cognitivos que afetam a atenção e o controle de impulsos, mantendo a sociedade em estado de distração e ansiedade constante. Eles também possuem o projeto "A mão invisível das Big Techs". Este é um alerta que vai além do que o Papa Leão XIV traçou: não se trata apenas de um ataque ao sistema político, mas de um ataque aos neurônios de cada cidadão. Como se não bastasse dominar a política, é preciso "hackear" o sistema biológico, realizando uma verdadeira lavagem cerebral que nos controla pelo impulso.

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18 abril, 2026

Contraste

Nada escuto, um refugio, de meu refúgio…
Busco um esconderijo, para me esconder.
Busco me distanciar, quero
Entrar em um outro mundo,
Quero entrar na fantasia,
Quero me manchar por entre as borboletas,
E seus pós encantadores.
Quero ali desmalhar,
Nada escutar.
Quero me prender, em um nada.
Tudo esquecer, e tudo lembrar.

Quero sair, deste casulo…
Quero escutar,
Quero sair do meu refúgio
Quero sair do meu esconderijo.
Viver em meu mesmo mundo,
Viver a minha realidade…
Se sujar nos poros das mariposas…
Quero ver o real,
Em meu ser, – quero viver!
Quero desmalhar, mas sonhar,
Poder acordar, e sentir.
Quero me prender, em um nada,
Quero ficar no tudo.
Tudo lembrar, e criar novas lembranças…


Valter Bitencourt Júnior, Salvador, Bahia, Brasil.


17 abril, 2026

A Evasão Silenciosa e a Soberania Ameaçada: O Real sob Ataque

O dólar entra no Brasil de diversas formas e, mesmo que existam mecanismos de rastreamento, isso causa problemas à moeda brasileira. Quem lucra são as gigantes da macroeconomia mundial, o que impacta diretamente a estabilidade do real. O governo Trump está "brigando de barriga cheia" ao querer questionar o Pix brasileiro, especialmente diante do avanço das criptomoedas e da dolarização do real, ocasionada pelos investimentos convertidos da moeda local para o dólar.

Contudo, o problema não reside apenas nas criptomoedas, mas também nas plataformas de jogos e streaming que pagam através de anúncios ou tarefas. Isso prende o usuário a esses apps, onde o lucro real vai para os criadores das plataformas — empresas sediadas em paraísos fiscais ou nos EUA —, gerando um ganho que não contribui para a economia do país.

Além disso, a lavagem de dinheiro praticada por organizações criminosas causa um impacto muito mais profundo no real do que no dólar. Como essa lavagem utiliza mecanismos que impedem o rastreamento, como empresas fantasmas, esse recurso acaba sendo convertido em dólar, ocasionando uma quebra de capital. Logo, esse é um problema mais interno do que externo, mas que acaba favorecendo a moeda americana.

Portanto, Trump parece perdido, alimentando teorias da conspiração ao tentar intervir em uma situação interna brasileira que é promovida pelas próprias gigantes da tecnologia. Ele não as atacará, pois elas lucram muito explorando a situação alheia e garantindo que a riqueza continue saindo do Brasil em direção ao sistema que ele defende.


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16 abril, 2026

Análise Crítica: O Capitalismo de Cassino e a Blindagem das Instituições

Não se fala mais em esquema milionário; fala-se de um esquema bilionário que envolve, inclusive, influenciadores. Compreender a situação do nosso país a partir desse aspecto talvez nos permita, de fato, entender as desigualdades geradas por uma pequena parcela que, além de acumular riquezas, compõe um esquema de corrupção bilionário. Descobre-se que a questão não é apenas a lavagem de dinheiro por meio de plataformas de bets, mas também através de plataformas de criptomoedas — muitas das quais, por serem regulamentadas no país, possibilitam o rastreamento de recursos.

Tudo aponta que a regulamentação das bets tornou-se necessária; porém, mesmo com ela, nada impede que os impactos negativos continuem atingindo o país, diante de uma sociedade já endividada pelo seu poder de consumo. O ditado diz que "o mundo é dos espertos" — algo passado de geração em geração e do qual não temos dúvida —, mas cabe destacar que toda essa "esperteza" está levando muita gente aos seus devidos julgamentos e condenações.

As bets não apenas trouxeram o endividamento de milhares de brasileiros, como também expandiram a entrada do dólar no país, assim como as criptomoedas que vêm sendo rastreadas. Diante dessa dolarização, cabe destacar a importância da moeda local e do Pix. Este meio de transação interna tornou-se muito mais eficaz do que as criptomoedas, que são menos seguras devido à sua volatilidade e à dificuldade de rastreio sem a quebra de sigilo internacional.

Ficou compreensível que o esquema não se tornou apenas local, mas transacional. Esse tipo de estrutura não culpabiliza diretamente o governo, e sim as instituições que compõem a macroeconomia mundial e criam mecanismos lucrativos diante da desgraça alheia — o que muitos teóricos chamam de "capitalismo de cassino". O governo, por sua vez, cria as devidas medidas restritivas; porém, há um sistema muito maior que envolve instituições blindadas que constituem a economia global.

Mas qual o sentido real de citar a eficácia do Pix diante das criptomoedas e do endividamento nas bets? Esta é uma forma de trazer questões atuais: quando o governo Trump demonstrou preocupação com o "Pix brasileiro", foi porque ele afeta diretamente os cartões de crédito de bandeiras internacionais (como Visa e Mastercard). Esta é uma maneira de explicar como funciona o capitalismo de cassino e a sua blindagem.

A regulamentação das bets acabou por normalizá-las. Não vemos anúncios apenas feitos por influenciadores, mas também em redes de televisão, camisas de clubes de futebol, através de apresentadores e até em jornais considerados sérios. Trata-se de uma monetização milionária que ultrapassa o teto nacional. Logo, essas instituições perdem a isenção para criticar o sistema, tornando-se parte da blindagem do capitalismo de cassino.

Portanto, compreender a situação do país exige olhar para além da superfície. O que se revela não é apenas um problema de apostas ou de tecnologia, mas a engrenagem de um sistema que monetiza o desespero e a esperança de uma sociedade endividada. Quando instituições que formam a opinião pública tornam-se dependentes dessa monetização, elas perdem a autoridade moral para criticar o sistema. Nesse cenário, o Pix e a regulamentação não são "salvadores", mas evidências de que o Estado tenta rastrear o que a macroeconomia mundial tenta ocultar. O verdadeiro desafio não é apenas punir a "esperteza" dos influenciadores, mas enfrentar um sistema transacional desenhado para acumular riquezas em uma ponta, enquanto fabrica desigualdades bilionárias na outra.

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15 abril, 2026

Um pouco de mim

Escrevo para sobreviver o tempo,
Respiro cada escrita
E vivo para reviver cada momento.
Não tenho mais a pressa,
Muito menos correrei.
Seguirei, e assim
Vou aprendendo
Com os passos da vida.
Escrevo para ser lembrado,
E não ser esquecido,
Penetro no coração
Daqueles que me leem,
E deixo um pouco de mim,
Ou do meu eu-lírico.

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10 abril, 2026

Inusitado

Você desfilava
E eu aqui parado
Na praça, menino
Solto.
Levantei-me
E do nada você vinha…
Caderno, livro, lápis,
Borracha… Tudo esbarrando-se
No chão.
Lembro como se fosse hoje
Quando declinei-me
Para ajudá-la,
E você também declinava-se…
Minha mão em sua mão
E você fitava-me,
Não segurei-me, e nem você…
- Marcamos o casamento.


Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.

O amor é cego

A beleza engana o olhar humano,
Sem que ao menos perceba.
O amor é cego (como dizem)
Quantas vezes cego, pode prender-se
Numa paixão que nunca existiu?
Correr o risco, é necessário!
(O que todos sabem)
Quem nunca ficou preso
Nos braços de uma mulher?
E ela, sempre a esbanjar o olhar
Faceiro. Querer e amar,
Não somos donos um do outro
Mas, no amor? (sempre quer ser!)
Eu sou seu, e você é minha
(Tudo isso é posse)
Todos acham belo, lindo...
Ah! O amor é lindo! (suspiram)
E sempre foi assim,
A minha mulher,
A minha companheira,
A minha... Ela é apenas
minha e de mais ninguém.
Cego, fica-se, diante do amor,
Cada um se entrega da sua forma.
Não bem se sabe, se é
Prisioneiro ou livre.
O que se sabe é que todo
Mundo quer um amor,
Quer um alguém
Para chamar de seu.

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Asco

Monstros que nascem na humanidade
Não merecem ser felizes 
(Sequer se importam com a própria felicidade)
Merecem o sofrimento diante das suas crueldades
Que vivem a fazer
(Coração maldito cheio de maldade).
Não me venha com essa de ser bonzinho
Àqueles que nasceram para fazer o mal:
-  São cruéis a ponto de matar sem um pingo de remorso
Esquecem que fazem parte da própria humanidade
A quem tanto abatem
Em nome do poder, do autoritarismo, 
Do que acreditam que está escrito no sagrado
Em nome do altíssimo
Impostores, são desumanos - verdadeiros carrascos!

Há quem seja pior que psicopata - sanguinário!
Há quem brinque com a nossa fé - oportunista!
Há quem nos engane e nos manipule - sanguessuga!

Há quem nos engane e nos faça de marionetes
Brinca com a nossa inocência, 
Pensa que jamais abriremos os olhos 
- Que lavagem cerebral
Vive nos fazendo o tempo todo.

E a gente se impressiona com as estatísticas 
Enquanto não viramos uma -
É racismo, homofobia, xenofobia, misoginia...

E a gente se impressiona com o bombardeio 
Tem gente fazendo até pipoca, 
Tem gente que não se importa com as crianças
Assassinadas, não se importa com o sofrimento
De todo um povo e cria a guerra

Há quem faça da desgraça alheia uma festa!

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


09 abril, 2026

Fragrância

Todo o seu ser preso ao meu.
Fisgar na plenitude cada momento,
Suspirar no relento sintomas de amor
Para que remédio?…

Está no seu braço e morrer
lentamente, você a olhar-me
Em forma de sorriso
Disfarço - estou bobo.

Diante do seu ser amoroso,
beleza extrema de minha vida,
Como a natureza, você inspira-me.

Quero respirar cada perfume,
E saber distinguir seu aroma
Doce e gostoso de sentir…


Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Sina da vida

Em momento algum parava
Meu mundo que vagava
Caminhava comigo - perdido
Não estava preso e nem perseguido

E o vago da plenitude encantava
E eu assim sonhava
Beijava tudo
Não estou sozinho neste mundo

Posso esta no presente e no futuro
Posso viver cada dia
E em cada presente vivia

Sei que tem coisa que não aturo
Viver sem você eternamente
Suicídio do meu ser movente.

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Imortal

O ano passa,
Tudo passa
E o que resta
É a vida
Daqueles
Que de fato
Quer viver.
Todo ser humano
É imortal
Quando ele
Quer viver
Eternamente.
Todo ser humano
É imortal,
Atravessa o tempo,
É sangue que germina
E nasce
Em várias formas.


Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


07 abril, 2026

Realidade

Acordar cheio de esperança
Com a sede de melhorias
Sonhar feito criança
Com muita euforia

Respirar o ar puro
Sorrir para o mundo
Brincar com o futuro
Sem medo

E tudo vai entardecendo
Todos os sonhos também
E tudo parece esvair

Anoitece e vem a tristeza
E tudo se opõe, a vida é dura
- Amanhã é outro dia.


Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.

Atualidade

Quanto mais vazia e calma
Mais ainda é perigosa a rua
(Isola). A bola na rua
Simplesmente a bola
E o asfalto,
Não há quem queira mostrar talento,
Não há quem queira jogar uma pelada,
Não há quem queira fazer pontinho,
Não há quem queira...
Casas com grade
(Já não basta ter medo da marginalidade,
Tem que ter medo de doença
Invisível), a rua nua e doentia,
A rua nua prostituída
Por quem se aproveita
Da situação alheia
Para lucrar (sistema podre -
Capitalista).
No mundo de crença,
Onde muitos colocam
Deus acima de tudo
E carrega por dentro
A falta de amor.
Há ser que mata mais
Que droga,
Quantas pessoas são assassinadas
Por ano?
Calamidade pública,
Pobre nem sempre tem vez.
Humano nem sempre é humano
(Desigualdade social
É desumano).
A sociedade feito a rua
A cada dia, nua, vazia, calma,
Doentia...

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Caracol

Quem sabe muitas das vezes somos tontos
Pelo fato do mundo girar?
Muitas das vezes de cabeça
Pra baixo vejo o mundo
Querendo saltar.
As nuvens dos céus
Também dar vontade de vomitar,
Quando a tranquilidade é demais,
Tem de se desconfiar.
Quero uma dose de cachaça,
E um cigarro vagabundo
Pra passar o tempo,
Nos matamos aos poucos,
Pra ao longo dos anos
Dizer – que viveu bastante!
A ponte distante – nunca me verá 
Saltar, não vou me afogar
No fundo do mar.
Antes do sino bater a despedida,
Poeta, deixa disso:

-Viver é a sua sina!

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


06 abril, 2026

Bienal do Livro da Bahia 2026: Lançamento do Livro “Amanhecer Chorando” de Audelina Macieira

A poetisa Audelina Macieira tem presença confirmada na Bienal do Livro da Bahia 2026, vai realizar o lançamento do livro “Amanhecer Chorando”, no stand da Cogito Editora, o evento vai acontecer do dia 15 a 21 de abril, no Centro de Convenções de Salvador.

Acessem ao perfil da Cogito Editora para mais informações: https://www.instagram.com/p/DWkQg8ODRfS/?igsh=MWJwOXhvZGVwc25peQ==

Incluam na agenda de vocês!

Capa do livro "Amanhecer Chorando", de Audelina Macieira.


Imagem divulgação.


O silêncio

O silêncio foi o sufoco
Por entre a escuridão,
O cérebro este labirinto
Via palavras, como se
Fossem escaneado,
Do presente ao pretérito.
O café em adrenalina
Corria pelo corpo,
Olhos vidrados,
Em pânico. Fantasma
Da vida, podem vim
Em formas de lembranças.
Um terremoto,
Visões, a busca do entendimento
Do eu e do não eu.
Retratos cortados,
Espelhos quebrado.
Fumaças em forma de neblina,
O conhaque não era
Mais o mesmo.
A caneta falhava,
As palavras não mais
Era o consolo.
Noites perdidas,
E uma poesia que
Não quer sair.
O poeta sofria a escrita,
Sofria a vida, a miséria,
A desgraça humana,
A guerra. Tudo foi
Bombardeado,
O software não mais
Armazenava os arquivos,
E muito menos processava.
A poesia queria esconder
A dor, as palavras
Se camuflam para se tornar
Em poesia. Não
Mais se tinha regra,
Métricas foram ultrapassada,
Apareceram carros,
Postes, prédios,
Pistas, e lembranças impagáveis.
Quero um sorvete,
Neste dia de pouco sol,
Para refrescar a memória
Ou suicidar-me no gelo.

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


04 abril, 2026

Faleceu a Editora da Íbis Libris Thereza Christina Rocque da Motta



Notícia triste, acabei de ver no perfil oficial da Thereza Christina Rocque da Motta, no app Meta (Facebook) sobre o seu falecimento, foi uma excelente poetisa, que nos deixa infelizmente, além de poetisa foi também tradutora, editora da Íbis Libris

Segue abaixo a publicação postada no perfil oficial, no app Meta (Facebook):

“Com profundo pesar, nos despedimos de nossa fundadora, Thereza Christina Rocque da Motta.Poetisa, tradutora, editora e uma incansável incentivadora da literatura brasileira, Thereza dedicou sua vida aos livros, às palavras e à construção de pontes entre autores e leitores. Sua trajetória deixa um legado imensurável não apenas na história da Ibis Libris, mas na cultura e na literatura do país.

Mais do que uma referência profissional, foi uma presença generosa, sensível e inspiradora para todos que tiveram o privilégio de caminhar ao seu lado.

Seguiremos honrando sua história, sua paixão pelos livros e tudo o que ela construiu.

A cerimônia de despedida será realizada no dia 06 de abril, no Cemitério da Penitência, no Rio de Janeiro.Nos solidarizamos com familiares, amigos, autores e leitores neste momento de dor.


🕊️HOMENAGEM COROA DE FLORES:(21) 967854612″

Fonte: https://www.facebook.com/share/p/17HVYL2AnH/

Nota de Falecimento 


O amor

Os raios do sol nasceu,
Transbordando
Nas cachoeiras.
À vida surgiu
Em ciclo de
Perfumes de jasmins,
E a poesia nasceu.
Gostoso! é degustar
Cada partícula do dia,
E saber regar
As sementes
semeando ao solo.
gozar! À vida,
O amor, à amplidão,
E acima de tudo
ver, e saber Mirar e fitar
A alegria de um
Outro ser
Admirando
De tudo o filho
Nascendo numa
Manjedoura.


Imagem da Internet.




Postagem em destaque

A Arte Além do Engajamento: O Poder da Conscientização no Pagode

A arte também é conscientizar e ganha uma grande importância quando usada de forma benéfica e justa, como um dos meios de gerar conscientiza...

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