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30 maio, 2026

Leitura e Interpretação da Poesia "Versos Íntimos", de Augusto dos Anjos

Valter Bitencourt Júnior fazendo a leitura e a interpretação da poesia "Versos íntimos", de Augusto dos Anjos.



Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de sua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Augusto dos Anjos 

Uma ilustração em estilo de desenho a bico de pena ou gravura em preto e branco sobre um fundo claro, exibindo o retrato do poeta brasileiro Augusto dos Anjos.
Uma ilustração em estilo de desenho a bico de pena ou gravura em preto e branco sobre um fundo claro, exibindo o retrato do poeta brasileiro Augusto dos Anjos.


05 março, 2021

Valter Bitencourt Júnior lendo a poesia de Cecília Meireles "Motivo"



Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Cecília Meireles

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