Não mais se encontrava por lá
Passaram uma tinta nas palavras
E resolveram internar o poeta.
Milhares de livros queimados
Na praça pública, milhares
De escritores exilados
De um país pra outro, e todos
Que defende o estado, o vê
Como um desgraça, um ser
Marginalizado pela sua espécie,
Que ver de um artista um vagabundo.
E mando um salve a Gregório de Matos
Ao Boca de Brasa, Boca de Inferno
Pai da poesia brasileira, que muito cantou
Os males da política
E da sociedade mexiriqueira,
Um Salve aos que transformaram as palavras,
A Castro Alves, que cantava a liberdade
Um salve ao Lima Barreto, que por muitos
Foi descriminado, e queimaram as palavras
Dos poetas, queimaram as palavras
Daquele que escreveu a realidade,
Mas, não mataram as ideias
Daquele que pensa e busca transformar,
Viva a poesia, e os Poetas da Praça,
Viva aos boêmios da literatura,
Aos fumantes e aos que não bebem
E muito menos fumam,
Viva os que protestam e os que manifestam
Por um país, ou quem sabe um mundo
Melhor, viva o povo e toda sociedade
Que dorme, e quando levanta
Mostra que ainda existe esperança
E a sede de mudar é maior,
E a briga pelos direitos continua
Oprimem nossa sociedade,
Agridem nossa sociedade,
Assassinam nossa sociedade,
E temem a nossa sociedade,
Porque a sociedade sustenta-os
E não estamos distante da ditadura,
E muito menos de uma guerra civil,
O poeta escreveu o provérbio,
O hoje tudo vem sendo visto,
O amanhã pouco se sabe o que pode vir,
E o futuro, não bem se sabe se terá crianças
Felizes, brincando descalça pela rua.
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| Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro. |








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